sábado, 25 de junho de 2016

O que é que eu vou fazer pra levantar a galera? Nada, porque não é programa de auditório.



Um fenômeno que nos tem chamado a atenção em muita comunidades, especialmente naquelas com grupos de jovens, é a “incrementação” ou “dinamização” das celebrações litúrgicas, de certos dias do calendário, com danças e apresentações. As intenções, creio eu, são até boas. Em geral querem que, com esses “momentos diferentes”, a mensagem contida naquela celebração chegue de forma mais efetiva ao coração dos fiéis. No entanto, é preciso que os responsáveis por tais interpretações teatrais, e especialmente os sacerdotes e equipes de liturgia, atentem ao fato de que dentro das cerimônias litúrgicas esses momentos são proibidos. E veja por quê.

Quando falamos em LITURGIA, existe uma regra de ouro que deve ser seguida por aqueles que se dispõem a trabalhar na organização das celebrações. Tal regra encontra-se nos parágrafos 1 e 3, do número 22 da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium:

§ 1. A regulamentação da Sagrada Liturgia é de competência EXCLUSIVA da autoridade da Igreja. Esta autoridade cabe à Santa Sé Apostólica e, segundo as normas do Direito, ao Bispo.
§ 3. Portanto, JAMAIS ALGUM OUTRO, ainda que sacerdote, acrescente, tire ou mude por própria conta qualquer coisa à Liturgia.¹

Fica claro, portanto que quem legisla sobre a liturgia é o Romano Pontífice através da Sagrada Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. E dentro das normas vigentes nenhuma contempla essas apresentações dentro das celebrações, em especial da Missa, por um simples motivo. A liturgia não é um palco para apresentações. A liturgia é o culto prestado a Deus por meio de ações rituais. A Santa Missa, em especial, é a perpetuação do Sacrifício do calvário: “Todas às vezes, de fato, que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, estareis proclamando a morte do Senhor, até que ele venha” (I Cor 11,26). Imagine só se enquanto Jesus pendia da cruz, Madalena e João estivessem aos pés da cruz bailando "O Lago dos Cisnes" ou o "Forró de Mané Vito". É impensável. Então por que durante a atualização do mistério da cruz fazemos isto?

Sobre isto ainda nos fala Bento XVI.

“A DANÇA NÃO É FORMA DE EXPRESSÃO DA LITURGIA CRISTÃ. Houve círculos docéticos-gnósticos que pretenderam introduzi-la na liturgia cristã, por volta do século III. Para eles, a crucificação era só aparência (…), de tal maneira que o baile podia ocupar o lugar da liturgia da cruz (…). As danças cultuais das diversas religiões têm finalidades diversas: encantamento, magia analógica, êxtase místico; nenhuma destas figuras corresponde à orientação interior da liturgia do ‘sacrifício da palavra’.
O que é completamente absurdo é quando, com a intenção de fazer com que a liturgia que seja mais ‘atrativa’, se introduzem pantomimas [gestos teatrais] em forma de dança. Quando é possível, se realizam inclusive com grupos de dança profissionais que, frequentemente, terminam com aplausos (…). Quando se aplaude pela obra humana dentro da liturgia, nos encontramos diante de um sinal claro de que se perdeu totalmente a essência da liturgia, que foi substituída por uma espécie de entretenimento de inspiração religiosa.”²

O mesmo que se fala sobre a dança, pode ser aplicado a qualquer forma de apresentação dentro dos ofícios litúrgicos, pré-estabelecidos. Ou seja, aqueles que possuem um Rito próprio.

“A Liturgia não é uma coisa que a gente faz. Não. A liturgia é o lugar da manifestação de Deus. (...) A grande crise litúrgica hoje é que a gente transformou a liturgia numa coisa que nós fazemos. O que é que eu vou fazer pra levantar a galera? Nada, porque não é programa de auditório. (...) quantas Missas neste Brasilzão de Deus afora você vê coreografia? Um monte de coisa: Coreografia no ofertório, coreografia na entrada. Rito é uma coisa. coreografia é outra. Coreografia a gente faz. Aquele teatrinho, aqueles gestos, aquelas coisas pra exprimir o que está dentro da gente. Isto não tem lugar na liturgia. Ritos são gestos de Deus. E como são de Deus eu não posso inventar nem modificar. Rito não se inventa. Rito não se modifica. Aqueles Ritos são grávidos, cheios do Espírito de Cristo. Aqueles Ritos trazem salvação.”³
Não queremos, no entanto, desmerecer tais grupos artísticos. Estes são uma forma muito sadia de cativar e catequizar a juventude. Agora, esses grupos devem entender que o presbitério não é um palco onde devam se apresentar, e sim um solo santo onde a redenção é renovada de maneira incruenta através do Santo Sacrifício, onde o Senhor derrama Seu precioso Sangue sobre o altar a cada Missa. Suas apresentações podem ocorrer nos salões paroquiais, ginásios, escolas e até, por motivos justos, dentro da igreja, desde que fora da ação sagrada (antes ou depois das celebrações).

VEJA ALGUNS VÍDEOS RELACIONADOS AO ASSUNTO





MAS ATENÇÃO: o Cardeal Arinze, então Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, falou que os bispos – em especial aqueles dos países africanos e asiáticos – devem avaliar a possibilidade de autorizar movimentos REFINADOS na Missa, não danças. NÃO É PRA DANÇAR NUNCA!
MAS ATENÇÃO: o cardeal falou que os bispos – em especial aqueles dos países africanos e asiáticos – devem avaliar a possibilidade de autorizar movimentos REFINADOS na Missa, não danças. NÃO É PRA DANÇAR NUNCA! - See more at: http://ocatequista.com.br/archives/5571#sthash.IGgr4uf3.dpuf
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REFERÊNCIAS  
¹ CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II, Constituição sobre a Sagrada Liturgia, Sacrosanctum Concilium, n. 22. 
² RATZINGER, Joseph. Introdução ao Espírito da Liturgia. 5ª Ed. Lisboa: Edições Paulinas, 2012. 
³ Dom Henrique Soares da Costa, Bispo de Palmares. Programa Escola da Fé, TV Canção Nova, Exibido em 05/05/2011

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