segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

A data do Natal e o caô da sua origem pagã

FONTE: O Catequista

Você tem algum amigo que compartilhou a imagem acima na época do Natal? Pede pra ele parar, que tá feio. Na sanha de desmoralizar o Natal, muita gente perde a noção do ridículo, junto com decência de buscar averiguar os fatos. Se liguem: não há nenhum registro histórico ou arqueológico antigo que indique que qualquer um desses “deuses” pagãos tenha nascido no dia 25 de dezembro!

Especificamente em relação a Hórus, ídolo egípcio, a fraude é gritante: como se pode afirmar que Hórus nasceu em dezembro, se dezembro é um mês latino, e o calendário egípcio era completamente diferente? Fué, fué, fué, fué, fuéeeeeee…

A celebração do Natal, mesmo com toda a distorção consumista, continua a ser uma poderosa lembrança de que a Deus amou tanto o mundo que nos enviou Seu Filho único. Por isso mesmo, o Natal virou um dos principais alvos das chacotas e calúnias dos ateus e até mesmo de boa parcela dos protestantes.

Jesus nasceu mesmo no dia 25 de dezembro? Ou essa foi uma data inventada pela Igreja? “Na verdade, esta data nada tem de arbitrária. Antes, possui profundas raízes bíblicas, e é ancorada na Tradição da Igreja”, explica o Pe. José Eduardo de Oliveira, sacerdote da Diocese de Osasco e Doutor em Teologia Moral pela Pontifícia Universidade da Santa Cruz (Roma).

Não podemos negar que alguns teólogos importantes abraçam a teoria de que a festa do Natal substituiu a festa pagã do “Sol invictus”. Como disse Bento XVI: “Na cristandade a festa do Natal assumiu uma forma definitiva no século IV, quando substituiu a festa romana do ‘Sol invictus’, o sol invencível. Assim foi evidenciado que o nascimento de Cristo é a vitória da verdadeira luz sobre as trevas do mal e do pecado” (Audiência Geral, 23/12/2009). Porém, as pesquisas históricas mais recentes apontam em outra direção.

Após uma extensa pesquisa, William J. Tighe – professor associado de História na Muhlenberg College, em Allentown, Pensilvânia – concluiu que a data de 25 de dezembro surgiu inteiramente a partir dos esforços dos cristãos para determinar a data histórica do nascimento de Cristo. Ele também alega que é quase certo que a festa do “Nascimento do Sol Invicto” surgiu como uma tentativa de criar uma alternativa pagã para uma data que já era importante para a comunidade cristã.

Ou seja: não foram os cristãos que se apropriaram e deram novo significado uma data festiva pagã, mas os pagãos é que tentaram, sem sucesso, sambar em cima de uma festa cristã!

Nos escritos dos Padres primitivos, podemos verificar que o Natal, em algumas comunidades – como na igreja de Jerusalém – era celebrado junto com a Epifania (6 de janeiro). Porém, também é fato que, no século IV, em muitas dioceses – a exemplo de Roma, Constantinopla e Antioquia – já era costume celebrar o Natal no dia 25 de dezembro. São João Crisóstomo, bispo de Antioquia, fundamentava essa Tradição no cálculo sobre a data em que São Zacarias recebeu o anúncio do Anjo Gabriel enquanto oficiava no Templo de Jerusalém (Patrologia Graeca, XLVIII, 752, XLIX, 351). Ou seja, nada a ver com substituição de festividades pagãs!

Certo… E de onde surgiu então essa história de que a festa do Natal surgiu de uma festividade pagã? Bem, no século XIX, o escritor Gerald Massey, egiptologista de araque, apresentou uma série de supostas semelhanças entre a história de Jesus e os mitos de diversos deuses pagãos – sem apresentar nenhuma evidência séria, é bom notar. Mas antes dele, segundo o professor Tighe, quem plantou o caô foi o pastor protestante alemão Paul Ernst Jablonski, no século XVIII (puxa, um protestante distorcendo dados históricos para caluniar a Igreja Católica? Que fato inédito, não é mesmo?).

Jablonski mentia tão bem que sua versão da história se popularizou, e, de tanto ser repetida, virou “verdade”. A cereja do bolo foi posta Dom Jean Hardouin, um monge beneditino, que mordeu a isca; em resposta a Jablonski, tentou mostrar que a suposta substituição do festival pagão pelo Natal não contrariava o Evangelho. O problema é que essa tese carece de comprovação histórica.

Agora, deixamos vocês com um resumo de um texto publicado pelo Pe. José Eduardo em sua rede social. Ele explica como a bíblia foi usada pelos primeiros cristãos para calcular a data do nascimento de Jesus Cristo.

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Pe. José Eduardo de Oliveira

Como fazemos para estabelecer o dia do nascimento de Jesus? A contagem dos dias começa pelo anúncio do nascimento de São João Batista. A Bíblia diz:

“Nos tempos de Herodes, rei da Judéia, houve um sacerdote por nome Zacarias, da classe de ABIAS; sua mulher, descendente de Aarão, chamava-se Isabel. Ora, exercendo Zacarias diante de Deus as funções de sacerdote, NA ORDEM DA SUA CLASSE, coube-lhe por sorte, segundo o costume em uso entre os sacerdotes, entrar no santuário do Senhor e aí oferecer o perfume” (Lc 1,5.8-9).

Pois bem, mas quando era o turno da classe de Abias?

No Primeiro Livro de Crônicas (1Cr 24,1-7.19), está estabelecida a ordem das 24 classes sacerdotais. Cada uma das classes deveria servir duas vezes ao ano, por uma semana, de sábado a sábado. A ordem sorteada e imutável foi a seguinte:

1a.) Joiarib, 2a.) Jedei, 3a.) Harim, 4a.) Seorim, 5a.) Melquia, 6a.) Maimã, 7a.) Acos, 8a.) ABIAS, 9a.) Jesua, 10o.) Sequenia, 11a.) Eliasib, 12a.) Jacim, 13a.) Hofa, 14a.) Isbaab, 15a.) Belga, 16a.) Emer, 17a.) Hezir, 18a.) Afses, 19a.) Fetéia, 20a.) Ezequiel, 21a.) Jaquim, 22a.) Gamul, 23a.) Dalaiau, 24a.) Maziau.

Alguns irmãos se apegam a esta ordem, alegando que não corresponde a uma possibilidade de que o Natal fosse em dezembro, pois o ano religioso judaico, começando por volta de março, daria ao oitavo turno, provavelmente, o final do mês de junho, começo do mês de julho. Daí, fazendo os cálculos, Jesus teria nascido em finais de setembro, inícios de outubro, pela festa dos Tabernáculos.

CONTUDO, ninguém se pergunta se a ordem dos turnos, nos tempos de Cristo, estava estabelecida exatamente assim. A pergunta é razoável, pois, desde os tempos da construção do Templo, o culto já havia sido interrompido diversas vezes, e um descompasso entre os turnos e o calendário poderia ter-se dado. E, por incrível que pareça, foi isso mesmo que aconteceu! É o que constatou Annie Jaubert, uma especialista francesa.

Por outro lado, o especialista Shemarjahu Talmon, da Universidade Hebraica de Jerusalém, trabalhou sobre os escritos de Qumram e sobre o calendário do Livro dos Jubileus, e CONSEGUIU PRECISAR A ORDEM SEMANAL DOS 24 TURNOS. Na lista que o Prof. Talmon reconstruiu, O SEGUNDO TURNO DE ABIAS CORRESPONDIA AOS DIAS DE 24 A 30 DE SETEMBRO.

Portanto, quando São Lucas recolhe essa indicação, sendo ele um atencioso narrador da história, nos dá a possibilidade de reconstruir a data histórica do nascimento de Jesus.

AGORA, RESTA-NOS FAZER AS CONTAS.
  • O anúncio do nascimento de São João Batista seria no dia 24 de setembro (no calendário ortodoxo, esta festa se celebra no dia 23 de setembro). NOTE-SE QUE ESTA FESTA É MUITO ANTIGA NA TRADIÇÃO DA IGREJA ORIENTAL;
  • seis meses depois, seria o anúncio a Nossa Senhora, no dia 25 de março (festa litúrgica da ANUNCIAÇÃO);
  • três meses depois, o nascimento de São João Batista (dia 24 de junho, festa litúrgica do seu natal);
  •  e seis meses depois, 25 de dezembro, o nascimento de Jesus (Solenidade do Natal do Senhor).
Portanto, essas teorias de que o Natal surgiu para cristianizar a festa pagã do “SOL INVICTO”, do solstício de verão etc., não passam de banais conjecturas.

A DATA DO NATAL, O INVERNO E OS PASTORES
Algumas pessoas argumentam que Jesus não poderia ter nascido em 25 de dezembro por um motivo simples: no hemisfério norte, sendo inverno, os pastores não poderiam estar com suas ovelhas ao relento.

Contudo, o argumento é falso. Publiquei no Facebook um texto provando que, com base em uma tradução literal do texto grego de Lc 2,8, os pastores precisavam revezar durante a noite sobre o rebanho, justamente porque estava muito frio. Portanto, o Messias nasceu em tempos de inverno (confira aqui).
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FONTES

TIGHE. William J. Calculating Christmas. Site Touchstone

LATTIER, Daniel. The Myth of the Pagan Origins of Christmas. Site Intellectual Takeout

JAUBERT, Annie. Le calendrier des Jubilées et de la secte de Qumran. Ses origines bibliques, in Vetus Testamentum”. Suppl. 3 (1953) pp. 250-264.

JAUBERT, Annie. Calendario di Qumran, in Enciclopedia della Bibbia 2. (1969) pp. 35- 38.

JAUBERT, Annie. La date de la Cène,Calendrier biblique et liturgie chrétienne, Études Bibliques, Paris 1957.

TALMON, Shemarjahu. The Calendar Reckoning of the Sect from the Judean Desert. Aspects of the Dead Sea Scrolls, in Scripta Hierosolymitana. vol. IV, Jerusalém 1958, pp. 162-199.

FEDERICI. Tommaso. “25 dicembre, una data storica”. artigo da Revista “30 giorni”. 11/2000.

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