terça-feira, 10 de novembro de 2015

Jovens usam correntes em devoção a Maria

Corrente utilizada pelo jovem Jorge Ferraz
Ver jovens com correntes e cadeados no pescoço, no pulso e até na cintura era uma cena comum na década de 1980. Conhecidos como punks, eles tinham visual agressivo e ideais rebeldes.

Hoje, as correntes – ou cadeias – são usadas por muitos jovens católicos como prova de santidade e entrega total a Maria. São os escravos de Nossa Senhora, que se consagram a Nossa Senhora, com base no Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, de São Luís Maria Grignion de Montfort.

O analista de sistemas Jorge Ferraz, de Recife (PE), é adepto das correntes e consagrado a Maria. “Na minha experiência pessoal, elas são uma excelente oportunidade de falar da verdadeira devoção; as pessoas perguntam por que você anda com uma corrente”, explica.

Segundo Jorge, as correntes lembram a todo momento que ele é um escravo de Nossa Senhora. “A minha balança sempre que ando e, a cada passo, sou chamado à realidade da consagração, à luta que preciso travar pela minha própria santificação”, conta o jovem.

Há cerca de um ano, a consagrada Cynthia Marcenes, de São Gonçalo (RJ), começou a confeccionar cadeias de Nossa Senhora para que pudesse difundir o uso para mais consagrados. Ela chega a atender entre 50 e 100 jovens por dia, que manifestam interesse tanto em se consagrar como em adquirir as cadeias. “Nem todos compram, mas percebo que a sede dos jovens que buscam a consagração total é muito grande”, explica.

Segundo Cynthia, alguns consagrados não podem usar correntes muito grandes, por questões ligadas ao trabalho, mas o desejo de utilizá-las, como testemunho devocional, levou-a a criar modelos mais discretos.

As cadeias maiores são feitas com aço galvanizado e as menores, são de aço inox antialérgico. A maior procura é pelas cadeias de médio porte, confeccionadas com materiais mais duráveis.

Os modelos mais procurados são os de pulso, mas as cadeias podem ser usadas no tornozelo, pescoço, dedo e cintura, conforme sugestão do próprio Tratado de São Luís.

O analista de sistemas, Jorge Ferraz,
é adepto das correntes e consagrado
a Maria
Como usar?

De acordo com o teólogo e missionário da Comunidade Canção Nova, Natalino Ueda, cada pessoa é livre para escolher em que parte do corpo deseja usar a cadeia. O Tratado sugere alguns pontos, como nos pés, pescoço ou braços.

Para Jorge, algumas correntes “chamativas” se justificam por uma espiritualidade particular, como no caso dos Arautos do Evangelho, que usam na cintura, integradas ao hábito religioso.

A maior parte dos leigos que ele conhece usa cadeias relativamente pequenas, no pulso ou pés. Por isso mesmo, ele diz que o tamanho não faz diferença, afinal, “a consagração não se mede pela espessura dos elos de ferro da cadeia que se usa”.

O jovem alerta, porém, que é preciso tomar cuidado para que a cadeia não ocupe o lugar da devoção interna, dando mais atenção para o adorno chamativo, em detrimento do sacrifício cotidiano e silencioso de uma vida reta que, segundo ele, é “o cerne da Escravidão de Amor”.

O missionário redentorista e diretor do portal A12.com, padre José Luís Queimado, alerta que, embora a prática das cadeias é recomendada por São Luís, mais importante que o uso de qualquer adorno é agir, de fato, como cristão.

“A hipocrisia nasce no momento em que eu coloco uma corrente, grossa ou fina, no corpo, dizendo que agora sou totalmente entregue à Santíssima Virgem, mas me esqueço do significado dela quando estou no WhatsApp, no Facebook ou nas rodas de amigos”, adverte.

O sacerdote lembra que as pessoas devem ser fiéis aos seus propósitos. “Caso contrário, o próprio Cristo vai bradar no nosso íntimo: túmulos caiados, belos por fora, mas por dentro somente podridões”, conclui, ao reforçar que o mesmo vale para o uso de qualquer símbolo.

Coração limpo

O missionário da Canção Nova orienta que as correntes são um sinal visível da total entrega de amor a Jesus Cristo, pelas mãos da Virgem Maria. “Também simbolizam o rompimento com a escravidão do pecado, e a escravidão de amor a Jesus Cristo, que solenemente prometemos em nosso Santo Batismo, e renovamos em nossa consagração”, diz.

Modelos de cadeias confeccionados
pela carioca Cynthia Marcenes
Para ser escravo de Nossa Senhora, primeiramente, é preciso ter recebido os sacramentos e estar em dia com as obrigações de fiel católico, como ir regularmente às missas, confessar-se com um sacerdote e cumprir os cinco mandamentos da Igreja.

É preciso também que o fiel leia e conheça o conteúdo do Tratado. O passo seguinte é marcar uma data, de preferência um dia mariano. A preparação para a consagração dura 30 dias e 33, em alguns casos. “Ela deve seguir as orientações do próprio Tratado, que indica como fazer e quais as orações que devem ser rezadas, ou de livros de exercícios espirituais próprios”, explica.

Perto do dia da consagração, recomenda-se fazer a Confissão. “No dia marcado, de preferência na celebração da Santa Missa, com a fórmula previamente escrita de próprio punho ou impressa, faz-se o ato de consagração”, explica Natalino.

Padre Queimado explica que a consagração a Maria é uma tradição antiga da Igreja, que foi desenvolvida por São Luís, numa época marcada pelo racionalismo e ao ódio a coisas místicas na Europa.

Na avaliação do missionário, embora o uso da corrente seja recomendado por São Luís, não existe obrigatoriedade de uso. “Usa quem quer se preparar e se consagrar no grupo, mas há diversos caminhos e diferentes maneiras de se amar e de ser fiel ao Cristo Jesus”, conclui.

FONTE: Portal A12

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