quarta-feira, 9 de setembro de 2015

O Beato Anchieta e as Índias Peladas

Anchieta e o Curumim. Tela de Mauricio Takiguthi
Um jovem seminarista de 29 anos é refém em uma tribo de canibais, e está privado da companhia de seus irmãos de fé. Quase que diariamente, algum selvagem faz questão de lembrar que ele pode virar picadinho a qualquer momento. Como se isso fosse pouco, vira e mexe alguma índia piriguete se oferece para funfar com ele. Eis a situação do Beato José de Anchieta em 1563.

É famosa a imagem de Anchieta riscando a areia da praia com um graveto, mas, infelizmente, poucos conhecem a fantástica aventura que está por trás desta cena. José de Anchieta e o seu superior, Padre Manuel da Nóbrega, haviam se oferecido voluntariamente para negociar um acordo de paz entre os índios tamoios e os portugueses, que há mais de três anos viviam em guerra. Anchieta permaneceu na tribo como refém, enquanto o Pe. Nóbrega retornou a São Vicente para dar continuidade às negociações junto aos portugueses.

Durante cerca de quatro meses, Anchieta foi privado da companhia de qualquer alma cristã. Em diversos momentos, sua vida esteve por um fio. Porém, sua postura sempre humilde e bondosa, além dos eventos sobrenaturais que o cercavam, inspiraram o respeito e o temor dos tamoios, que passaram a considerá-lo como um “poderoso feiticeiro”. Mas o risco de ser morto de devorado estava longe de ser o seu maior problema, pois ele até mesmo desejava o martírio:
Manda que, por Jesus, por seu nome divino,
derramando meu sangue, encerre meu destino!
Pois quem, por me remir, sofreu morte inclemente,
derramando seu sangue em liberal torrente,
sofrendo eu o martírio, e atroz morte curtindo,
por servo me conheça, una em amor infindo!…
*
Pra um jesuíta daqueles tempos – de um tipo que já não se faz mais (#prontofalei) – uma ameaça de morte era temível, mas não fazia nem cócegas na alma. O que atormentava mesmo o nosso beato era a possibilidade de trair a promessa que fizera de joelhos, aos 16 anos, aos pés de uma imagem de Nossa Senhora: manter-se sempre casto. As índias peladas o assediavam frequentemente, pois, ao que parece, era fetiche se oferecer aos prisioneiros condenados. Era algo do tipo: “oi gato, sou sua última refeição”…

E agora, José? Quem poderá lhe defender?

Ela! A Rainha dos puros de coração, Nossa Senhora. Esperto, Anchieta tratou logo de buscar abrigo sob o manto da Virgem, e prometeu escrever um poema sobre a Sua vida. Como não havia papel, tinta ou notebook naqueles matos, o homi se virou com um graveto. Todos os dias, ia até a praia de Iperoig (litoral do Espírito Santo) e escrevia os seus versos.
Eis os versos que outrora, ó Mãe Santíssima,
Te prometi em voto,
Enquanto entre tamoios conjurados,
Pobre refém, tratava as suspiradas pazes, tua graça me acolheu em teu materno manto
E teu poder me protege intatos corpo e alma. *
José de Anchieta, podemos imaginar, deve ter tomado uns bons banhos na água fria do mar de Iperoig… O certo é que ele produziu o Poema da Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus *, com mais de cinco mil versos, e os decorou um a um. Depois de liberto, passou a obra para o papel e a publicou.

Viu, gente? Aprendam com o Beato Anchieta: é banho frio e fé na Virgem!

*****

O Beato José de Anchieta – que, de Deus quiser, será declarado santo – foi um dos caras mais incríveis que já pisaram neste solo. O Apóstolo do Brasil foi o maior catequista que o nosso país já teve, um GIGANTE de Cristo. Teve uma vida dedicada intensamente à difusão do Evangelho e à caridade. Muitos foram as testemunhas de sua inteligência brilhante e das manifestações de seus variados dons sobrenaturais, reflexos de sua santidade.

Querido Beato José de Anchieta, abençoai e inspirai os sacerdotes e catequistas do Brasil!

FONTE: O Catequista

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