quarta-feira, 29 de julho de 2015

O Mestre da Capela Real

Igreja de N. Sra do Carmo da Antiga Sé (Capela Ral)
Você sabia que o Brasil possuiu um compositor ao nível dos maiores mestres europeus como Mozart? Não? Então vamos conhecer essa história:

Em 1807, o Reino de Portugal encontrava-se em uma situação bastante delicada. A Rainha dona Maria I foi declarada louca e seu filho, o bonachão dom João, foi colocado no trono como príncipe regente. A economia tinha seu principal pilar nas transações comerciais com a vizinha Inglaterra. E da França, o Imperador Napoleão decretava um Bloqueio Continental, proibindo a todas as nações do continente europeu a comercializar com as Ilhas Britânicas.

Portugal viu-se então entre "a cruz e a espada". Se deixa-se de comercializar com a Inglaterra teria um enorme lapso econômico, além de poder perder o Brasil sua principal colônia. Por outro lado, se continua-se sua relação comercial, Napoleão invadiria o pequeno reino e deporia a dinastia de Bragança do trono lusitano. O que fazer então?

A ideia foi mirabolante, mas eficaz. TRANSFERIR A CORTE PORTUGUESA PARA O BRASIL. Na verdade essa era uma ideia bastante antiga, proposta pelo duque de Alba, dom Antônio, ainda em 1580 durante a crise de sucessão. Também o Pe. Antônio Vieira o havia aconselhado, baseado na ideia de Portugal ser o V Império. Até mesmo o Marquês de Pombal o fez. Mas a ação só ocorreu mesmo em 1807. Com essa transferência, que na verdade foi uma fuga, a dinastia de Bragança se manteria no trono e as relações comerciais com a coroa inglesa se manteriam.

A Família real chegou ao seu destino final, o Rio de Janeiro, em fevereiro de 1808. E como a corte portuguesa era extremamente religiosa, o príncipe regente tratou logo de escolher e instaurar a capela real.

Não gostando da então catedral do Rio, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Pretos, foi escolhida a Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo. Muito mais bela e ricamente ornada do que a antiga, foi concedido, a ela, o status de Catedral e Capela Real.

A Capela Real, ou Real Capela, tinha como incumbência, organizar as celebrações religiosas assistidas pela família real, notabilizando-se principalmente pela qualidade da música apresentada nessas ocasiões. O que exigia um mestre de música para ocupar o cargo de mestre do coro real.

O escolhido, contrariando as expectativas da corte, foi um brasileiro. O padre José Maurício Nunes Garcia, que além de não ser português era também mulato. Porém dotado de uma maestria excepcional, e que já dirigia a capela da antiga sé catedral

Padre José Maurício Nunes Garcia
O padre músico era filho de Apolinário Nunes Garcia e Victória Maria da Cruz, e nasceu na Rua da Vala, caminho para o Valongo - mercado de escravos do Rio de Janeiro (1767). Aos seis anos perde o pai e passa a ser criado pela mãe com a ajuda de uma tia. As duas mulheres, lavadeiras, percebem o interesse do menino para a música e trabalham em dobro para custear as aulas particulares com o professor Salvador José de Almeida Faria, músico mineiro que trazia na bagagem toda a tradição clássica setecentista. Em 1792, o neto de escravos é ordenado padre e, em 1798 torna-se mestre-de-capela da Sé Catedral do Rio de Janeiro. Como mestre-de-capela, Padre José Maurício Nunes Garcia compunha novas obras e dirigia os músicos e cantores nas cerimônias da Sé, além de atuar ele mesmo como organista.

O período entre 1808 e 1811 é o mais produtivo de Nunes Garcia, durante o qual ele compõe cerca de setenta obras. Em 1809, D. João VI condecora-o com o Hábito da Ordem de Cristo, sinal da grande estima que tinha pelo músico. Não escapou porém do preconceito de alguns membros da corte, que se referiam à sua cor de pele como um "defeito visível".

Em 1811 chega à corte Marcos Portugal, o compositor português mais célebre do seu tempo, que tinha suas obras apresentadas por toda a Europa de então. A fama do recém-chegado leva D. João VI a pôr Marcos Portugal à frente da Capela Real, substituindo Nunes Garcia. O brasileiro continua, porém, a ser custeado pelo governo e a compor esporadicamente novas obras para a Capela Real.

Em 1816 dirige na Igreja da Ordem Terceira do Carmo um Requiem, de sua autoria, em homenagem à rainha portuguesa D. Maria I, morta naquele ano no Rio. Em 1816 chega à corte o compositor austríaco Sigismund Neukomm, que estabelece uma grande amizade com o brasileiro. Mais tarde Nunes Garcia dirige as estreias brasileiras do Requiem de Mozart (1819) e de A Criação de Haydn (1821).

Padre José Maurício compôs cerca de 26 Missas, quatro missas de Requiem, Responsórios, Matinas, Vésperas, um Miserere, um Stabat Mater, um Te Deum, Hinos, modinhas e pequenas peças profanas.

Principais obras 
  • Música dramática: Le Due gemelle; Coro para o entremês (1808); O Triunfo da América (1809); Ulisséia (1809). 
  • Música orquestral: Sinfonia fúnebre (1790); Sinfonia tempestade. 
  • Modinhas: Beijo a mão que me condena; No momento da partida. 
  • Música instrumental: Doze divertimentos (1817). 
  • Música sacra: Tota pulchra es Maria (1783); Ecce sacerdos (1798); Bendito e louvado seja (1814 e 1815); Christus factus est (1798?); Miserere para Quarta-feira de trevas (1798); Libera me (1799); Missa de Réquiem (1799); Ofício de defuntos (1799); Judas mercator (1809); Matinas da ressurreição (1809?); Missa de Requiem (1809); Missa de Réquiem (1816); Missa de Santa Cecília (1826). 
Muitas das obras do Padre José Maurício estão disponíveis no Acervo do Cabido Metropolitano do Rio de Janeiro, recentemente restaurado e digitalizado num projeto com patrocínio da Petrobrás.

Credo em Dó Maior

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Missa de Réquiem(Introitus)

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Te Deum

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REFERÊNCIAS

http://pt.wikipedia.org/wiki/Nunes_Garcia

http://pt.wikipedia.org/wiki/Capela_Real_do_Rio_de_Janeiro

Um comentário:

  1. adorei muito bom,eu não conhecia sua história muito interesante.parabéns Henrique Halison muito bom seu blog

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