quarta-feira, 3 de junho de 2015

A mais sublime Manifestação Pública de Fé

O aspecto público da liturgia exige, de per si, a manifestação de atos de fé que ultrapassem os limites físicos do espaço sagrado. Isto, a Sagrada Escritura nos ajuda a compreender pela passagem “Vi a água saindo do lado direito do Templo” (Ezequiel 47,1). Do templo saiam as graças de Deus que tornavam fecundas as terras por onde passava. Assim sendo, também os fiéis são chamados a tomar parte nas ações litúrgicas que fluem para fora dos lugares sagrados, a fim de levarem o sinal visível da ação de Deus para o mundo. 

Dentre as várias formas de manifestações públicas de fé, a mais tradicional e mais popular, é a realização das procissões nas quais se levam as imagens sagradas. Porém, em especial, é "nas procissões em que a Eucaristia é levada solenemente pelas ruas com cânticos, que o povo cristão dá testemunho público de fé e de piedade para com o Santíssimo Sacramento" (Eucharisticum mysterium, n. 59). As procissões eucarísticas podem ser realizadas por vários motivos: Jubileus, Congressos Eucarísticos, Ordenações, etc. No entanto, "entre as procissões eucarísticas, tem particular importância e significado, na vida pastoral da paróquia ou da cidade, aquela que se costuma fazer cada ano na solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo ou noutro dia mais oportuno próximo desta solenidade. Convém, pois, que, onde as circunstâncias hodiernas o permitam, e onde esta procissão possa ser verdadeiramente sinal de fé e adoração comum, ela se conserve segundo a norma do direito (Ritual da Sagrada Comunhão e do Culto Eucarístico fora da Missa, n. 102).

A Igreja então nos apresenta normas que devem ser seguidas para a realização destas procissões. Descreveremos agora tais normas:

  1. Convém que a procissão com o Santíssimo Sacramento se faça a seguir à Missa na qual se consagrou a hóstia que há de ser levada na procissão. Nada impede, contudo, que a procissão se realize depois duma adoração pública e prolongada feita a seguir à Missa (Ritual da Sagrada Comunhão e do Culto Eucarístico fora da Missa, n. 103).
  2. Antes da procissão, o celebrante e todos os presentes se ajoelham diante do Santíssimo exposto. O celebrante coloca incenso no turíbulo e incensa-o com três ductos, sempre de joelhos, como manda a lei da igreja. 
  3.  Sobre o pluvial, ou a casula, o celebrante usa o véu umeral. Um véu quadrado, posto sobre os ombros, é usado para o sacerdote não tocar diretamente o recipiente com a Eucaristia, um símbolo de respeito. 
  4.  O Santíssimo Sacramento é posto no ostensório, um recipiente próprio para expor o pão Eucarístico à adoração. Sobre a Eucaristia, que o padre porta, quatro ou seis fiéis seguram o pálio, que é um amplo baldaquino de tecido ricamente enfeitado e com franjas amplas dos quatro lados.
  5. Organiza-se então a procissão: à frente, vai o acólito com a cruz, ladeado dos acólitos que levam os castiçais com as velas acesas; seguem-se o clero, os diáconos que serviram à Missa, os cônegos e os presbíteros vestidos de pluvial, os presbíteros concelebrantes, os Bispos porventura presentes e revestidos de pluvial, o ministro com o báculo do Bispo, os dois turiferários com os turíbulos fumegando, o Bispo com o Santíssimo Sacramento, um pouco atrás os diáconos assistentes, depois os ministros do livro e da mitra. Vão todos com velas na mão, e aos lados do Santíssimo Sacramento levam-se tochas (Cerimonial dos Bispos, n. 391).
  6. A piedade popular do Brasil acrescenta ainda outros piedosos elementos de devoção. O primeiro, e creio que mais conhecido, sejam os tapetes de Corpus Christi. Verdadeiras obras de arte de vida efêmera são criadas todos os anos a partir de materiais simples como serragem, pipoca, fubá, tampinha de garrafa. Alguns lugares usam de materiais ainda mais regionais como o já tradicional tapete de bordados de Ibitinga-SP e, por muitos anos, também os recicláveis tapetes de bagaço de cana-de-açúcar coloridos em alguns lugares próximos a usinas de Cana-de-açúcar. 
  7.  Outro elemento, talvez mais em desuso, é a confecção de “altares” ao longo da via na qual se realiza a procissão, onde ela parava, o Santíssimo ali ficava alguns instantes e o celebrante dava aos presentes a bênção eucarística. Se parecer menos oportuno realizar a bênção do Santíssimo várias vezes, reservando-a para o final da procissão, pode-se manter a tradição dos “altares” parando-se um momento na procissão apenas para incensar o santíssimo e rezar um momento em silêncio. 
  8. Ao fim da procissão chega a uma outra igreja ou, na sua falta, retorna-se à igreja de onde se partiu. Num ou noutro caso, é extremamente conveniente que se cante o hino Tão Sublime Sacramente (Tatum Ergo) e se dê a bênção eucarística, conforme o Ritual Romano.

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