sexta-feira, 3 de abril de 2015

Papa no Coliseu: cristãos assassinados com o nosso silêncio

Cidade do Vaticano (Rádio Vaticano) – Nesta Sexta-feira Santa (03/04), o Papa Francisco presidiu a tradicional Via-Sacra no Coliseu romano, com a participação de milhares de fiéis.

Ao final da 14a estação, o Papa leu a seguinte oração:

“A tua via-sacra é a síntese de tua vida, ícone de tua obediência à vontade do Pai. É a prova de tua missão. O peso da tua cruz nos liberta de todos os nossos fardos. Na tua obediência à vontade do Pai, nós nos damos conta da nossa rebelião e desobediência. Em ti vendido, traído e crucificado pela tua gente, nós vemos nossas cotidianas traições e infidelidades. Na tua inocência, vemos a nossa culpa; no teu rosto desfigurado, vemos a brutalidade dos nossos pecados. Na crueldade da tua paixão, vemos a crueldade do nosso coração e das nossas ações. Ao sentir-te abandonado, vemos todos os abandonados pelos familiares, pela sociedade. No teu corpo sacrificado, vemos os corpos dos nossos irmãos abandonados nas ruas, desfigurados pela nossa negligência e indiferença. Em ti, divino Amor, vemos ainda hoje os nossos irmãos perseguidos, decapitados e crucificados pela sua fé em ti, sob nossos olhos ou com frequência com nosso silêncio cúmplice. Imprime em nosso coração sentimentos de fé, esperança, caridade, de dor pelos nossos pecados e leva-nos a nos arrepender pelos nossos pecados que te crucificaram. Leva-nos a transformar a nossa conversão feita de palavras em conversão de vida e de obras. Jesus Crucificado, reaviva em nós a esperança, para que não se perca seguindo as seduções do mundo; guarda em nós a caridade, que não se deixe enganar pela corrupção e a mundanidade. Ensina-nos que a Santa-feira Santa é a estrada para a Páscoa da ressurreição. Ensina-nos que Deus jamais esquece nenhum de seus filhos e jamais se cansa de nos perdoar e de abraçar. E ensina-nos a não nos cansar de pedir perdão e de acreditar na misericórdia sem limites do Pai.”

Depois da benção final, Francisco acrescentou uma saudação: “Voltemos a nossas casas com a lembrança de Jesus, de sua paixão, do seu grande amor, e também com a esperança da sua jubilosa ressurreição".

Este ano, as meditações foram confiadas ao Bispo emérito de Novara, Dom Renato Corti. O texto que acompanhou as 14 estações foi publicado também em português.

Os temas foram os dramas familiares do mundo de hoje, a presença feminina na Igreja e a “tristeza no abisso” de tantas almas feridas pela solidão, o abandono, a indiferença, as doenças, a morte de um ente querido; o risco de ser “cristãos mornos”, dramas coletivos como o tráfico de seres humanos, a condição das crianças-soldado, o trabalho em regime de escravidão, os jovens roubados de si mesmos, feridos em sua intimidade e barbaramente profanados com abusos sexuais; a pena de morte ainda praticada em muitos países, e toda forma de tortura e opressão violenta de inocentes.

Dom Corti enriqueceu as meditações utilizando textos do Papa Paulo VI, do Cardeal Carlo Maria Martini e do Ministro paquistanês Shahbaz Bhatti, assassinado em 2011.

Dois brasileiros estavam entre as pessoas que carregaram a cruz de Jesus durante a Via-Sacra: os irmãos Rafaela e Vitor, adotados no Brasil por um casal de italianos, participaram da cerimônia ao lado dos pais na terceira estação. Além deles, também levaram a cruz duas religiosas iraquianas e pessoas provenientes de Síria, Nigéria, Egito e China, entre outras.

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