quarta-feira, 25 de março de 2015

Uma triste constatação.

"Ia partir para o Aspirantado dos Salesianos em Lorena. Ia estudar para padre. Disseram-me que muitos fazem assim: ficavam alguns anos e depois abandonavam os estudos. Vi muitos que, depois de alguns anos, perdendo a coragem para sair e enfrentar a vida, continuavam sem fé, sem religião, sem formação cristã, até a ordenação, enganando e sendo enganados. Daí o número de padres mundanos e incrédulos que muita gente conhece" (SILVEIRA, apud FREYRE, 1957)¹.
É preocupante que este relato feito, na primeira metade do século XX, por Guaracy Silveira ao polímata² Gilberto Freyre, enquanto este escrevia Ordem e Progresso, último volume de sua "Introdução a história patriarcal no Brasil", seja tão atual para nós nos dias de hoje.

Já cansamos de ver, com inegável peso no coração, sacerdotes como os descritos no fragmento de texto citado. Quantos fazem uso do seu ministério, não pelo bem da Grei do Senhor, mas para proveito próprio? Quantos dos nossos padres se ufanam de ostentar um "Pe." como prefixo de seu nome de batismo? Quantos invertem a frase do Senhor e, estão para serem servidos e não para servir? Quantos, aos instruírem suas ovelhas, não tem a humildade de vergar suas vontades e suas convicções ideológicas ao verdadeiro ensinamento da Santa Mãe Igreja? Quantos sacerdotes parecem ter menos fé que aqueles confiados a suas preces? Quantos por não terem verdadeira vocação, escandalizam o povo com escândalos sexuais e financeiro?

Graças a Deus, não são estes sacerdotes a maioria dentre os ministros do Senhor. Porém, mesmo em número pequeno, causam um mal incomensurável a Esposa de Cristo. A nós, fiéis, resta-nos apenas rezar para que nossos Bispos e o responsáveis pela formação de nosso clero saibam orientar nossos seminaristas, e tenham a capacidade de, em conjunto com os mesmos, orientarem um verdadeiro processo de discernimento da vocação. Também só nos sobra rezar, e não pouco, pela santificação do nosso clero. 
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¹FREYRE, Gilberto. Ordem e Progresso: Processo de desintegração das sociedades patriarcal e semipatriarcal no Brasil sob o regime de trabalho livre; aspectos de um quase meio século de transição do trabalho escravo para o trabalho livre; e da monarquia para a republica. 6ª ed. São Paulo: Global Editora, 2004, p.408.

²Pessoa cujo conhecimento não está restrito a uma única área.

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