terça-feira, 3 de março de 2015

O caso do desaparecimento do prefácio de Bento XVI

Por Katholisches.info | Tradução: Teresa Maria FreixinhoFratres in Unum.com: (Roma) Os defensores da doutrina católica sobre o matrimônio e a família atualmente estão enfrentando tempos difíceis. Os editores que publicaram livros em defesa do sacramento do matrimônio estão sendo pressionados. Os livros em defesa do matrimônio e da moral católica que estavam a caminho do Sínodo no Vaticano desapareceram. Ataques públicos contra os cardeais que se opõem à proposta de Kasper, aprovada pelo Papa Francisco, são desferidos para prejudicar-lhes a reputação. Demissões e destituições estão ocorrendo.

Onde está o Prefácio?
Não se pode dizer facilmente em que proporção isso está acontecendo por obediência antecipada ou por ordem direta de instâncias superiores. Contudo, muitos indícios apontam para um firme centro de comando ao redor do Papa Francisco. Há um objetivo em mente e é preciso alcançá-lo em outubro de 2015. Nos bastidores, a rica igreja alemã aumentou sua pressão sobre Roma. O Cardeal Reinhard Marx mandou o recado de que a Alemanha pode mudar a prática da Igreja por si caso Roma reverta o Sínodo novamente, como fez em outubro de 2014. Será que Marx é uma sombra do Papa em Munique? Na Roma argentina, estão querendo pegar – se não fosse pelos incômodos “conservadores” – aqueles que não querem acompanhar o progresso.

Dentre eles encontra-se o cardeal africano Robert Sarah. Recentemente, a editora francesa Fayard lançou um livro-entrevista com o Cardeal Sarah. Nele encontramos a seguinte afirmação: “A ideia de deixar o Magistério em uma bela caixa e assim separá-lo da prática pastoral, e, em seguida, dependendo das circunstâncias, desenvolvê-lo de acordo com as modas e paixões, é uma forma de heresia, de esquizofrenia patológica. Afirmo solenemente que a Igreja da África se oporá a qualquer forma de rebelião contra o Magistério de Cristo e da Igreja.”

Um livro com um enigma

Um livro que oferece um enigma. A editora o anunciou com um “Prefácio do Papa Emérito Bento XVI”, e o nome de Bento XVI foi publicado na capa do livro (veja a foto acima), mas ele sumiu. O livro foi publicado sem o prefácio. “Muito possivelmente, Bento XVI escreveu um prefácio para o livro; caso contrário, a página de título não seria concebida com esse aviso, que poderia ser usado para fins publicitários”, disse [o blog francês] Benoit et moi . O porquê da retirada do prefácio segue sendo um mistério. “Que ideias politicamente corretas ganharam a última palavra na editora Fayard para considerar imprudente a publicação de um prefácio do Papa Emérito em um novo livro?”, indagou Benoit et moi, esperançoso de que o Cardeal Sarah divulgue o prefácio escrito por Bento XVI.

As razões para a retirada do prefácio, obviamente, não devem recair sobre a editora francesa. Por enquanto, o que temos é a suspeita de pressão e intimidação contra aqueles que defendem a doutrina e a ordem católica, para que essa defesa seja denunciada como “ataques” contra o Papa.

Cardeal Sarah
Há 22 anos, o Cardeal Sarah atuou como arcebispo de Conakry, na Guiné. Ele sabe como lidar com situações difíceis sem se exasperar de imediato. Seu predecessor fora encarcerado por nove anos pelos comunistas que na época governavam a Guiné. Em 2001, o Papa João Paulo II o chamou a Roma e o designou Secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos. Em 2010, o Papa Bento XVI o nomeou Presidente do Pontifício Conselho Cor Unum e o criou cardinal no mesmo ano. Ao final de 2014, o Papa Francisco o nomeou como o novo Prefeito da Congregação para o Culto Divino. Na busca de um sucessor para o ratzingeriano Cardeal Cañizares, contaram sua origem e dedicação no contexto das obras humanitárias da Igreja a favor dos africanos. O fator determinante parece ter sido que após a gafe verbal do Cardeal Walter Kasper durante o Sínodo, o Papa Francisco esforçou-se para fazer gestos de boa vontade em relação à África. Desde então, a Presidência do Pontifício Conselho Cor Unum está vacante, o que facilita a fusão proposta dos Conselhos Pontifícios como parte da reforma da Cúria.

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