sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Segundo dia do Papa nas Filipinas

Manila (Rádio Vaticano) - Após o encontro com as autoridades no Palácio Presidencial em Manila para a cerimônia de boas-vindas, o Papa Francisco dirigiu-se à Catedral de Manila - dedicada a Nossa Senhora da Imaculada Conceição e considerada a “mãe de todas as igrejas nas Filipinas -, para presidir uma Celebração Eucarística com cerca de dois mil Bispos, religiosos, religiosas e seminaristas.

A atual construção da Catedral, que remonta aos anos 50, é a oitava versão da igreja construída em 1581 com bambu e folhas de palma. Devastada ao longo da história por tufões, incêndios, terremotos e bombardeios durante a Segunda Guerra, foi elevada à Basílica Menor por João Paulo II, em 1981. E justamente a história da Catedral que "insiste em resistir e ficar de pé", foi o o tema das palavras do Cardeal Tagle dirigidas a Francisco, que afirmou: "você traz o fogo, não para destruir, mas para purificar. Você traz um terremoto, não para destruir, mas para despertar. Vocês traz armas, não para matar, mas para assegurar. De fato, 'tu és Pedro'".

Na homilia do Papa, num tom muito fraterno, recordou que o papel dos pastores está radicado no seguimento de Cristo e que a vida consagrada é um sinal do amor de Cristo que leva à reconciliação. No contexto dos preparativos para celebrar, em 2021 o V centenário da evangelização nas Filipinas, o Papa ressaltou que o trabalho das gerações passadas levou ao conhecimento da Palavra de Deus, mas também à inspiração cristã no campo caritativo, da reconciliação e da solidariedade à serviço do bem comum.

No Terceiro compromisso do dia o Santo Padre teve um encontro com as "crianças de rua" de Manila, cuidadas pela Fundação TNK, que fica funciona em uma estrutura ao lado da Catedral, e é administrada por um sacerdote francês, Pe. Mathieu, abrigando 20 menores. O Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, classificou como "um encontro comovente".

Durante 20 minutos, Francisco conversou com as crianças e outros 320 meninos de rua assistidos pela fundação em outras casas. Os menores acolheram o Papa com cantos, abraços, fotos e pequenos presentes. O Pontífice então concedeu a sua bênção.

O problema da infância é um dos mais desafiadores para a sociedade filipina atual. A respeito, o correspondente da RV em Manila, Stefan Von Kempis, conversou com a religiosa brasileira Ir. Maria da Salete Costa, da Congregação de Santa Catarina de Sena. Ouça aqui:

Encerrando as atividades do dia, o Pontífice participou de um encontro com as famílias no Ginásio "Mall og Asia" que fica a seis quilômetros separam a Nunciatura apostólica , e é usado para abrigar shows e eventos esportivos. O Papa fez o percurso de papamóvel, parando várias vezes, como sempre, para um encontro mais próximo com os fiéis. Na chegada ao ginásio, foi recebido pelo Bispo Gabriel Reyes, Presidente da Comissão Episcopal para a Família.

A cerimônia do fim da tarde desta sexta-feira (17h30 hora local) incluiu uma liturgia da Palavra e orações de intenção em seis línguas locais. Dom Reyes deu as boas-vindas ao Pontífice e em seguida, três famílias ofereceram seu testemunho, antes de Francisco tomar a palavra.

Depois de agradecer os organizadores e participantes do Encontro, o Papa proferiu o seu último discurso do dia diante de cerca de 20 mil pessoas.

O repouso de São José, tema da leitura pronunciada na cerimônia, serviu a Francisco como inspiração. Ele disse “querer descansar, refletindo sobre o dom da família” e pediu a atenção de todos para três aspectos do texto: repousar no Senhor, levantar-se com Jesus e Maria, e ser voz profética.

Repousar no Senhor
O repouso, necessário para a saúde das nossas mentes e dos nossosa corpos, é essencial também para a nossa saúde espiritual, para podermos ouvir a voz de Deus e compreender aquilo que nos pede. Por isso, o Papa explicou que é importante “providenciar uma casa para Jesus em nossos corações, famílias, paróquias e comunidades, e encontrar cada dia o tempo para rezar”.

"Descansar, rezar e sonhar", frisou Francisco, afirmando que gosta muito da idéia de 'sonhar' em uma família: "Não é possível uma família que não sonha. Todo pai e toda mãe sonham seu filho, durante nove meses! Não percam a capacidade de sonhar. Pensemos num casal; sonhyemos com sua bondade... Por isso, é muito importante recuperar o amor através da ilusão de todos os dias. Nunca deixem de ser namorados!"

“Se não rezarmos, nunca conheceremos a coisa mais importante de todas: a vontade de Deus a nosso respeito; e repousar na oração é particularmente importante para as famílias, onde aprendemos a amar, a perdoar, a ser generosos e disponíveis e não fechados e egoístas”.

Levantar-se com Jesus e Maria

Em seguida, Francisco se referiu de novo ao Evangelho: “O Anjo do Senhor revelou a José os perigos que ameaçavam Jesus e Maria, obrigando-os a fugir para o Egito e, em seguida, estabelecer-se em Nazaré. De igual modo, no nosso tempo, Deus chama-nos a reconhecer os perigos que ameaçam as nossas próprias famílias e a protegê-las do mal”.

Advertiu que muitas são hoje as pressões sobre a vida da família, como a fragmentação devido à emigração, a pobreza extrema, o materialismo, etc. “Nosso mundo tem necessidade de famílias sãs e fortes para superar estas ameaças. Toda ameaça à família é uma ameaça à própria sociedade”, reiterou, pedindo aos filipinos que protejam as suas famílias, “maior tesouro desta nação”.

Voz profética

Por fim, outro dever dos cristãos citado no Evangelho é ser vozes proféticas no meio das nossas comunidades. Assim como José ouviu a voz do Anjo do Senhor e respondeu à chamada que Deus lhe fez de cuidar de Jesus e Maria, quando as famílias educam as crianças na fé e em sãos valores, e as ensinam a dar a sua contribuição para a sociedade, tornam-se uma bênção ao seu redor. “Ao fazê-lo, mostramo-nos fiéis à missão profética que recebemos no Batismo”, completou.

Querendo improvisar algumas palavras, Francisco se desculpou com os presentes por não ter fluência na língua inglesa e pediu ao sacerdote que o acompanha nesta viagem como secretário para traduzi-lo. Entre outras coisas, Francisco disse “ter-se comovido ao visitar as crianças órfãs hóspedes de um instituto católico”, após a missa celebrada esta manhã. “Quanta gente trabalha na Igreja para lhes dar uma família. Isto significa levar avante profeticamente uma família!”, comentou.

Por fim, durante este ano consagrado nas Filipinas como ‘Ano dos Pobres’, o Pontífice pediu aos Bispos maior atenção ao chamado recebido para serem ‘discípulos missionários de Jesus’. O que significa isso?

“Estar prontos para ir além dos limites de suas casas e cuidar dos irmãos e irmãs mais necessitados. Que se interessem de modo especial por aqueles que não têm uma família própria, especialmente os idosos e as crianças sem pais: “Nunca os deixem se sentir isolados, sozinhos e abandonados, mas ajudem-nos a saber que Deus não os esqueceu”.

O Papa encerrou lembrando que reza sempre por todos, e pediu que todos rezem sempre também, inclusive por ele.


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