sábado, 3 de janeiro de 2015

O Preceito Dominical!


 Participar da missa inteira nos domingos e outras festas de guarda e abster-se de ocupações de trabalho.

No seu primeiro mandamento a Santa Mãe Igreja Ordena aos fiéis que santifiquem o dia em que se comemora a ressurreição do Senhor, e as festas litúrgicas em honra dos mistérios do Senhor, da santíssima Virgem Maria e dos santos, em primeiro lugar participando da celebração eucarística, em que se reúne a comunidade cristã, e se abstendo de trabalhos e negócios que possam impedir tal santificação desses dias.

Sendo assim vamos entender como surgiu o dia de preceito para o povo de Deus e como a Igreja ressignificou e disciplinou o cumprimento de tal mandamento.

O Terceiro Mandamento do Decálogo.

Para começarmos a entender os motivos que levaram a Igreja a escolher um dia especifico da semana para seus fiéis renderem o culto a Deus, precisamos compreender como surgiu tal atividade.

Lendo o Capítulo vinte do livro do Êxodo, nos seus versículos de 8 a 10, observamos claramente que a questão de se reservar um dia da semana para o descanso e para o louvor a Deus, não é uma simples criação humano, más um preceito divino.
"Lembra-te do dia do sábado para o santificares. Durante seis dias trabalharás e farás todos os teus trabalhos. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Não farás nele nenhum trabalho." (Ex 20, 8-10)
A guarda do sábado para o povo hebreu tinha alguns significados importantes: 
  1. Lembrava-se memorial da libertação de Israel da escravidão do Egito: "Recorda-te de que foste escravo no país do Egito, de onde o Senhor, teu Deus, te fez sair com mão forte e braço poderoso. É por isso que o Senhor, teu Deus, te ordenou que guardasses o dia de sábado" (Dt 5, 15)
  2. Neste dia fazia-se memoria da obra da criação, "porque em seis dias o Senhor fez o céu e a terra, o mar e tudo o que nele se encontra, mas ao sétimo dia descansou. Eis porque o Senhor abençoou o dia do sábado e o santificou" (Ex 20, 11);  
  3. E por fim era o dia do descanso total consagrado ao Senhor (Ex 31, 15).
Por estes motivos os Israelitas eram rigorosíssimos com a guarda do sábado, cujo preceito durava do por do sol da sexta-feira ao por do sol do sábado. 
A respeito de tal rigor muitas vezes exagerado, e mal interpretado, vemos inúmeras passagens na Sagrada Escritura. Dentre as quais encontramos as críticas de Jesus aos mestres da Lei que o criticam por várias vezes, quando Ele cura doentes ou permiti que seus discípulos colham alimentos em dia de Sábado: "O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado: o Filho do Homem até do sábado é Senhor" (Mc 2, 27-28).

Como surgiu a precedência do domingo sobre o sábado?

O Código de Direito Canônico estipula que "o domingo, dia em que por tradição apostólica se celebra o mistério pascal, deve ser guardado em toda a Igreja como o dia de festa por excelência" (cân. 1246 §1). No entanto, muitas pessoas, inclusive católicas, estranham porque a Igreja manda guardar o Domingo, visto que no decálogo o dia de preceito é o sábado.

O domingo toma, para os cristãos, o lugar do sábado devido a Ressurreição de Jesus. Este acontecimento ressignifica os  pontos que mencionamos sobre o sábado judaico.
  1. O memorial da libertação da escravidão do Egito é suplantado pelo memorial da libertação do gênero humano das amarras da morte pela Ressurreição de Cristo.
  2. "Enquanto 'primeiro dia', o dia da ressurreição de Cristo lembra a primeira criação. Enquanto 'oitavo dia', a seguir ao sábado, significa a nova criação, inaugurada com a ressurreição de Cristo" (Catecismo da Igreja Católica, n. 2174).
  3. O Sacrifício Pascal de Cristo (morte e ressurreição) inauguram a Nova Aliança firmada entre Deus e os homens redimidos pelo Sangue do seu Filho, que era prefigurada pela aliança firmada no Antigo Testamento (prestar a Deus um culto exterior, visível, público e regular, sob o signo da sua bondade universal para com os homens). Sendo assim, "O culto dominical cumpre o preceito moral da Antiga Aliança, cujo ritmo e espírito retoma, ao celebrar em cada semana o Criador e o Redentor do seu povo" (Catecismo da Igreja Católica, n. 2176). 
Sendo assim, não existe motivo algum para os cristãos guardarem o sábado. Visto que  no domingo realiza-se plenamente, na Páscoa de Cristo, a verdade espiritual do sábado judaico e anuncia-se o descanso eterno do homem, em Deus. Porque o culto da Lei preparava para o mistério de Cristo e o que nela se praticava era figura de algum aspecto relativo a Cristo.

Só devemos guardar o domingo?

Não. O mandamento da Igreja é claro ao especificar que devemos guardar o domingo, dia por excelência da memória da Ressurreição, mas também outros dias de preceito que comumente não caem no Dia do Senhor.

O número dos Dias Santos de Guarda que geralmente não caem nos domingos são dez. Contudo, para nós brasileiros, devido a alguns indultos da Santa Sé que transferem dias de guarda, por não serem feriados, para o Domingo (ex.: Epifania do Senhor, Ascensão do Senhor, São Pedro e São Paulo, Assunção de Maria), temos apenas quatro dias de preceito, excetuados os domingos. 

São eles:
  • Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus (1 de Janeiro)
  • Solenidade de Corpus Christi (data variável - 1ª quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade)
  • Solenidade da Imaculada Conceição de Maria (08 de Dezembro)
  • Solenidade do Natal do Senhor (25 de Dezembro)
É pecado não cumprir o Preceito Dominical?

É Pecado Grave não cumprir o preceito, como nos afirma o Catecismo:
A Eucaristia dominical fundamenta e sanciona toda a prática cristã. É por isso que os fiéis têm obrigação de participar na Eucaristia nos dias de preceito, a menos que estejam justificados, por motivo sério (por exemplo, doença, obrigação de cuidar de crianças de peito) ou dispensados pelo seu pastor. Os que deliberadamente faltam a esta obrigação cometem um pecado grave. (Catecismo da Igreja Católica, n.2181)
Só cumpro o preceito no dia do Domingo?

Seguindo o costume judaico, no qual as festas começavam a ser celebradas na véspera, para nós católicos o domingo começa depois das 15h00 do sábado.
Satisfaz ao preceito de participar da missa quem assiste à missa em qualquer lugar onde é celebrada em rito católico, no próprio dia de festa ou na tarde do dia anterior. (Código de Direito Canônico, cân. 1248)
O Domingo é apenas pra ir a Igreja?

"Tal como Deus 'repousou no sétimo dia, depois de todo o trabalho que realizara' (Gn 2, 2), assim a vida humana é ritmada pelo trabalho e pelo repouso. A instituição do Dia do Senhor contribui para que todos gozem do tempo de descanso e lazer suficiente, que lhes permita cultivar a vida familiar, cultural, social e religiosa (Gaudium et spes, 67). Aos domingos e outros dias festivos de preceito, os fiéis abstenham-se de trabalhos e negócios que impeçam o culto devido a Deus, a alegria própria do Dia do Senhor, a prática das obras de misericórdia ou o devido repouso do espírito e do corpo (Código de Direito Canônico, cân. 1247). As necessidades familiares ou uma grande utilidade social constituem justificações legítimas em relação ao preceito do descanso dominical. Mas os fiéis estarão atentos a que legítimas desculpas não introduzam hábitos prejudiciais à religião, à vida de família e à saúde. 'O amor da verdade procura o ócio santo: a necessidade do amor aceita o negócio justo' (Santo Agostinho, De civitate Dei). Os cristãos que dispõem de tempos livres lembrem-se dos seus irmãos que têm as mesmas necessidades e os mesmos direitos, e não podem descansar por motivos de pobreza e de miséria. O domingo é tradicionalmente consagrado, pela piedade cristã, às boas obras e aos serviços humildes dos doentes, enfermos e pessoas de idade. Os cristãos também santificarão o domingo prestando à sua família e vizinhos tempo e cuidados difíceis de prestar nos outros dias da semana. O domingo é um tempo de reflexão, de silêncio, de cultura e de meditação, que favorecem o crescimento da vida interior e cristã." (Catecismo da Igreja Católica, n. 2184-2186)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado suas opniões são muito importantes para nós!