quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Papa preside Vésperas da Solenidade da Mãe de Deus e o Te Deum

Cidade do Vaticano (Rádio Vaticano) – No último dia do ano de 2014 o Papa Francisco presidiu na Basílica de São Pedro as Primeiras Vésperas da Solenidade da Virgem Maria Mãe de Deus, com o canto do Te Deum e a Bênção do Santíssimo Sacramento. Um momento para “agradecer ao Senhor por tudo o que recebemos e pudemos realizar e ao mesmo tempo, repensar as nossas faltas e pedir perdão”.

O Papa iniciou sua reflexão meditando sobre o significado do tempo, que adquiriu um “novo e surpreendente” significado ao ser “tocado “ por Cristo, tornando-se assim “tempo de salvação e de graça”.

Ao explicar o motivo fundamental de dar graças à Deus, citou Paulo, quando diz que “Deus nos fez seus filhos, nos adotou como filhos”. O Papa recordou então, que Deus “é sim Pai de cada pessoa”, mas o pecado original nos afastou dele, causando uma ferida profunda nesta relação. Por isto “Deus mandou seu Filho para nos resgatar, com o preço de seu sangue”:

“E se existe um resgate, é porque existe uma escravidão. Nós éramos filhos, mas nos tornamos escravos, seguindo a voz do Maligno. Nenhum outro nos resgata desta escravidão substancial se não Jesus, que assumiu a nossa carne da Virgem Maria e morreu na Cruz para nos libertar da escravidão do pecado e nos restituir a condição filial perdida”.

O fato de nos tornarmos filhos de Deus por meio de Jesus Cristo – disse o Papa - “é motivo de exame de consciência, de revisão de vida pessoal e comunitária”, e propõe alguns questionamentos:

“Como é o nosso modo de viver? Vivemos como filhos ou como escravos? Vivemos como pessoas batizadas em Cristo, ungidas pelo Espírito, resgatadas, livres? Ou vivemos segundo a lógica mundana, corrupta, fazendo aquilo que o diabo nos faz acreditar que seja de nosso interesse?”.

Nesta escolha entre liberdade e escravidão existente diante do homem, o Papa observa:

“Existe sempre no nosso caminho existencial uma tendência em resistir à libertação; temos medo da liberdade e paradoxalmente, preferimos mais ou menos conscientemente a escravidão. A liberdade nos assusta porque nos coloca diante do tempo e diante da nossa responsabilidade de vivê-lo bem. A escravidão reduz o tempo em “momentos” e assim nos sentimos mais seguros, isto é, nos faz viver momentos desligados do seu passado e do nosso futuro. Em outras palavras, a escravidão nos impede de viver plenamente e realmente o presente, porque o esvazia do passado e o fecha diante do futuro, da eternidade. A escravidão nos faz acreditar que não podemos sonhar, voar, esperar”.

Citando um artista italiano que afirmou “que para o Senhor foi mais fácil tirar os israelitas do Egito do que o Egito do coração dos israelitas”, o Papa Francisco afirmou:

“No nosso coração se aninha a saudade da escravidão, porque aparentemente traz mais segurança, mais que a liberdade, que é muito mais arriscada. Como nos agrada estarmos engaiolados por tantos fogos de artifício, aparentemente belos mas que na realidade duram somente poucos instantes!

Como Bispo de Roma, o Papa convidou também ao exame de consciência aos cristãos que tem a oportunidade de viver na cidade eterna, dizendo também isto ser um motivo de agradecimento ao Senhor, “mas ao mesmo tempo representa uma grande responsabilidade. “ A quem muito foi dado, muito será pedido” (Lc 12,48). Assim perguntemo-nos:

“Nesta cidade, nesta Comunidade eclesial, somos livres ou somos escravos, somos sal e luz? Somos fermento? Ou somos apagados, insípidos, hostis, desconfiados, irrelevantes, cansados?”

Diante dos graves e recentes acontecimentos de corrupção, o Santo Padre pediu “uma séria e consciente conversão dos coração para um renascimento espiritual e moral, como também para um renovado compromisso para construir uma cidade mais justa e solidária, onde os pobres, os fracos e os marginalizados estejam no centro de nossas preocupação e do nosso agir cotidiano”.

E conclamou os cristãos e terem coragem de proclamar na cidade “que é necessário defender os pobres e não defender-se dos pobres, que é necessário servir os mais fracos, e não servir-se dos mais fracos”:

“Quando em uma cidade os pobres e os fracos são cuidados, socorridos e promovidos na sociedade, eles se revelam o tesouro da Igreja e um tesouro na sociedade. Ao contrário, quando uma sociedade ignora os pobres, os persegue, os criminaliza, os obriga a “mafiarem-se”, esta sociedade se empobrece até a miséria, perde a liberdade e prefere “o alho e as cebolas” da escravidão do Egito, da escravidão do seu egoísmo, da escravidão da sua pusilanimidade e esta sociedade cessa de ser cristã”.

Ao concluir sua reflexão do último dia do ano, Francisco diz que “nos fará bem pedir a graça de poder caminhar em liberdade para poder assim reparar os tantos danos feitos e poder defendermo-nos das saudades da escravidão, de não “nostalgiar” a escravidão”.

Ao final da celebração, o Pontífice dirigiu-se ao Presépio montado na Praça São Pedro, onde deteve-se em oração diante do Menino Jesus na manjedoura, enquanto a banda da Guarda Suiça entoava o “Noite Feliz”. Mesmo com a temperatura de 2°C, Francisco saudou longamente os presentes, eufóricos com a oportunidade de estarem próximos do Papa.

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