sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Pesar do Papa pela morte do Cardeal Martini: insigne pastor e caro irmão, serviu generosamente ao Evangelho e à Igreja

Cidade do Vaticano (Rádio Vaticano) - Pesar não somente na Igreja pela morte do Cardeal Carlo Maria Martini, falecido na tarde desta sexta-feira no Aloisium, Instituto dos Jesuítas situado em Gallarate, na província italiana de Varese. Já de há muito doente de Parkinson, o purpurado tinha 85 anos.

"Pensando com afeto neste caro irmão que generosamente serviu ao Evangelho e à Igreja – escreve o Papa num telegrama ao arcebispo de Milão, Cardeal Angelo Scola –, recordo com gratidão a sua intensa obra apostólica profusa qual zeloso religioso filho espiritual de Santo Inácio, experiente docente, respeitável biblista e apreciado reitor da Pontifícia Universidade Gregoriana e do Pontifício Instituto Bíblico e, depois, solícito e sábio" arcebispo de Milão.

Bento XVI ressalta também o "competente e fervoroso serviço" prestado à Palavra de Deus por esse "insigne pastor", "abrindo sempre mais à comunidade eclesial os tesouros da Sagrada Escritura, especialmente através da promoção da Lectio divina".

Em seguida, o Papa recorda na mensagem a longa enfermidade do Cardeal Martini, por ele vivida "com ânimo sereno e com confiante abandono à vontade do Senhor".

Numa sua mensagem, o Cardeal Secretário de Estado Tarcisio Bertone ressalta que o Cardeal Martini "testemunhou e ensinou o primado da vida espiritual e, ao mesmo tempo, a escuta atenta do homem nas suas diferentes condições existenciais e sociais".

Entre as muitas mensagens de pesar, destaca-se também a do Presidente da República italiana Giogio Napolitano, que define o falecimento do Cardeal Martini "uma dolorosa, grave perda não somente para a Igreja e para o mundo católico, mas para a Itália".

"Na metrópole lombarda – afirma o chefe de Estado – deixou a marca profunda da sua atividade pastoral tão inspirada e socialmente sensível." "Pessoalmente – conclui –, conservo na memória a recordação dos numerosos encontros e colóquios que tive com ele, na sede da arquidiocese milanesa, como Presidente da Câmara e, ainda mais, como Ministro do Interior, sobretudo acerca de temas relacionados à imigração. Todas as vezes obtive sugestões concretas e iluminadoras."

As exéquias do Cardeal Martini serão celebradas na segunda-feira, 3 de setembro, às 16h locais, na Catedral de Milão. O corpo será exposto na Catedral milanesa a partir do meio-dia deste sábado.

A aposta do Papa para promover o latim

Bento XVI publicará um “motu proprio” para estabelecer a Pontifícia Academia Latinitatis. No Vaticano, traduzem “endereço de e-mail” por “inscriptio cursus electronici”.

Por Andrea Tornielli | Tradução e Fonte: Fratres in Unum.com - «Foveatur lingua latina». O Papa Ratzinger espera que cresça o conhecimento da língua de Cícero, de Agostinho e de Erasmo de Rotterdam no âmbito da Igreja, mas também na sociedade civil e na escola, motivo pelo qual está prestes a publicar um “motu proprio” no qual institui a nova Pontifícia Academia Latinitatis. Até agora, quem se ocupava de manter vivo o latim era a fundação “Latinitas”, sob controle da Secretaria de Estado, e que deixará de existir: além de publicar a revista de mesmo nome e organizar o concurso internacional “Certamen Vaticanum” de poesia e prosa latina, esta fundação se ocupou de traduzir para o latim um enorme quantidade de termos modernos.

A iminente instituição da nova Academia Pontifícia, que se juntará às onze já existentes (entre as quais as mais famosas, dedicadas às ciências e à vida) foi confirmada em uma carta que o Cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, enviou ao Padre Romano Nicolini, um sacerdote de Rímini comprometido com o retorno das aulas de latim às escolas secundárias. Ravasi recordou que a iniciativa da Academia é um desejo “do Santo Padre” e que será promovida pelo dicastério vaticano que se ocupa da cultura: farão parte dela “eminentes estudiosos de diferentes nacionalidades, com a finalidade de promover o uso e o conhecimento da língua latina, tanto no âmbito eclesiástico como no civil e, portanto, escolar”. Uma forma de responder, conclui o Cardeal em sua carta, “a numerosos pedidos que nos chegam de diferentes partes do mundo”.

Passaram-se 50 anos desde que João XXIII, no limiar do Concílio, promulgou a Constituição Apostólica “Veterum Sapientia”, para definir o latim como língua imutável da Igreja e enfatizar a sua importância, pelo que pedia às escolas e universidades católicas que voltassem a ensiná-lo, caso tivessem cancelado ou reduzido sua presença nas grades escolares. O Vaticano II estabeleceria que se mantivesse o latim em algumas partes da missa, mas a reforma litúrgica pós-conciliar aboliria todo vestígio seu no uso cotidiano. Assim, enquanto há 50 anos todos os prelados do mundo conseguiam se entender falando o idioma de César e os fiéis mantinham um contrato cotidiano semanal com ele, hoje, na Igreja, o latim não goza de boa saúde; e são muitos ambientes leigos os que mostram interesse em promover esta iniciativa.

De toda forma, continuam trabalhando no Vaticano estudiosos que propõem neologismos para traduzir as encíclicas papais e os documentos oficiais. Um trabalho bastante árduo foi a tradução para o latim da última encíclica de Bento XVI, a “Caritas in veritate” (Julho de 2009), dedicada às emergências sociais e à crise econômico-financeira. Algumas decisões dos latinistas da Santa Sé foram criticadas por “La Civiltà Cattolica”, a prestigiosa revista dos jesuítas, que considerou discutíveis as traduções  «plenior libertas» para libertação e «fanaticus furor» para fanatismo. Entre as curiosidades, as expressões «fontes alterius generis» para traduzir fontes alternativas e «fontes energiae qui non renovantur» para os recursos energéticos não renováveis.

A decisão do Papa de instituir uma nova Academia Pontifícia é um sinal muito significativo de renovada atenção. “O latim educa para que se estime as coisas belas — explica Nicolini, que difundiu nas escolas secundárias italianas 10 mil cópias de um opúsculo gratuito de introdução à lingua latina e que está divulgando o pedido para que o latim volte a circular entre as matérias escolares — e também nos educa a dar importância às nossas raízes”.

Entre os que se ocupam de renovar o léxico latino, a fim de comunicar em nossos dias através da língua de Virgílio, encontra-se Padre Roberto Spataro, de 47 anos, professor de literatura cristã antiga e secretário do Pontifício Institutum Altioris Latinitatis, que Paulo VI instituiu na atual Universidade Salesiana de Roma. “Como traduziria ‘corvo’? Esperava esta pergunta… bem… diria: ‘Domesticus delator’ ou ‘intestinus proditor’”, responde o sacerdote. Também explica como nascem os neologismos latinos: “Existem duas correntes de pensamento. A primeira, que se poderia definir ‘anglo-saxã’, considera que antes de criar um neologismo para traduzir palavras modernas, é necessário buscar entre tudo o que se escreveu em latim ao longo dos séculos, e naõ só no latim clássico. A outra corrente, que por comodidade definirei ‘latina’, considera que podemos ser mais livres ao criar uma circunlocução que transmita bem a idéia e o significado da palavra moderna, mas mantendo o sabor do latim clássico ciceroniano”.

Spataro pertence à segunda corrente e convida a “folhear a última edição do ‘Lexicon recentis latinitatis’, editado pelo Padre Cleto Pavanetto, excelente latinista salesiano, e que foi publicado em 2003, com mais de 15 mil vocábulos modernos traduzidos ao latim”. Por exemplo, fotocópia se traduz como “exemplar luce expressum”, nota de dinheiro se converte em “charta nummária”, basquetebol se torna “follis canistrīque ludus”, best-seller é “liber máxime divénditus”, as calças jeans são “bracae línteae caerúleae”, enquanto o gol é “retis violátio”.

Os “hot pants” [ndr: micro shorts femininos absolutamente imodestos] se tornam ““brevíssimae bracae femíneae”, o IVA [ndr: "Imposto sobre Valor Agregado", incidente sobre todos os produtos ou serviços na União Européia] se traduz como “fiscāle prétii additamentum”, a “mountain bike” é “bírota montāna”, o pára-quedas é “umbrella descensória”. No “Lexicon” faltam as referências à internet. “Efetivamente, elas não existem — explica Pe. Spataro –, mas nos últimos nove anos foram cunhadas novas expressões entre os que escrevem e falam latim. Assim, internet é ‘inter rete’ e endereço de e-mail é ‘inscriptio cursus electronici’”.

Falece, aos 85 anos, o Cardeal Carlo Maria Martini

Cidade do Vaticano (RÁDIO VATICANO) - Faleceu na tarde desta sexta-feira, aos 85 anos, o arcebispo emérito de Milão, Cardeal Carlo Maria Martini.

Nasceu em Turim, no Piemonte, norte da Itália, em 15 de fevereiro de 1927.

Ingressou na Companhia de Jesus, em 25 de setembro de 1944; fez o noviciado em Cuneo e recebeu a ordenação sacerdotal em 13 de julho de 1952; cursou Faculdade de Filosofia no Aloisianum, em Gallarate, Milão, Faculdade de Teologia, em Chieri, Turim; doutorou-se em Teologia fundamental na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma com a tese: “O problema histórico da Ressurreição com base em estudos recentes”.

Carlo Maria Martini foi ordenado sacerdote em 13 de julho de 1952, em Chieri, Turim e pronunciou seus últimos votos, em 2 de fevereiro de 1962. 

Membro e também decano do Pontifício Instituto Bíblico, foi nomeado seu reitor em 29 de setembro de 1969. Nomeado reitor da Pontifícia Universidade Gregoriana, em 18 de julho de 1978, foi único membro católico do Comitê Ecumênico para a preparação da edição grega do Novo Testamento.

Em 1978, foi pregador dos Exercícios Espirituais de Quaresma no Vaticano, a convite de Paulo VI. Foi nomeado Arcebispo de Milão, em 29 de dezembro de 1979. e membro da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos, de 1980 a 1983.

Foi criado Cardeal em 2 de fevereiro de 1983. Assistiu à VI Assembléia Ordinária do Sínodo dos Bispos, no Vaticano, de 29 de setembro a 28 de outubro de 1983, da qual foi relator.

Enviado especial do Papa à celebração do I centenário de evangelização de Zâmbia, em 1991.
 
Assistiu à I Assembléia Especial para a Europa do Sínodo dos Bispos, no Vaticano, em 1991; à IV Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, em Santo Domingo, na República Dominicana, em 1992; à IX Assembléia Ordinária do Sínodo dos Bispos, no Vaticano, em outubro de 1994; assistiu à II Assembléia Especial para a Europa do Sínodo dos Bispos, no Vaticano, em 1999.

Desde 2002 é arcebispo emérito de Milão, ocasião em que foi fazer experiência contemplativa em Jerusalém.

Cardeal Martini foi autor de diversos livros, entre os quais: "Diálogos Noturnos em Jerusalém", em 1979, onde em forma de entrevista discute os temas mais relevantes da atualidade da fé e os desafios de chegar aos jovens e as suas questões tão conturbadas nos dias de hoje.

Oremos por ele:

Ave Maria
Gratia plena
Dominus tecum
Benedicta tu
In mulieribus
Et benedictus
Fructus Ventris tui, Jesu
Sancta Maria,
Mater Dei,
Ora pro nobis peccatoribus
Nunc et in hora mortis nostrae
Amen

Réquiem aetérnam dona eis, Dómine,
Et lux perpétua lúceat eis
Riquiéscant in pace.
Amen

Intenção geral do Papa para Setembro: os políticos devem agir com honradez, integridade e amor pela vida

Cidade do Vaticano (Rádio Vaticano) - A intenção geral do Papa para este mês de setembro é: “Para que os políticos atuem sempre com honradez, integridade e amor pela vida e a verdade”.

O trinômio “honradez, integridade e verdade” representa uma espécie de arco-íris: cada elemento tem sua especificidade. A honradez ou honestidade é a capacidade de ter um coração transparente. A integridade é a coerência do início ao fim, em todos os dias da semana. A verdade é o valor que está presente na integridade e na honestidade; é a capacidade de voar bem alto. Eis porque este trinômio se completa entre si.

O cristão deve dar sua contribuição específica à política e, de modo geral, à vida social. A sua contribuição mais importante é a coerência de vida, acompanhada do desejo de ter sempre ideais nobres e visar o bem comum. Claro, isto requer sacrifício, qualidade, honradez e, sobretudo, empenho pessoal na vida de cada dia.

Os cristãos, segundo o Papa, não devem ter medo, nem fugir da realidade e tampouco fechar seus corações. Mas, devem ser capazes de inserir-se na história e na vida política. A precariedade, em tempos de crise, torna-nos particularmente frágeis, agitados e um sentido de rebelião, especialmente entre os jovens em alguns países. Os problemas dos jovens purificam e, ao mesmo tempo, fecundam a política. Eis porque a política deve responder ao drama da realidade juvenil.

Sobre bruxas queimadas e neurônios tostados

Todo o mundo “sabe” que a Igreja Católica caçou e fez torresmo de milhares de mulheres na Idade Média, acusadas de bruxaria. Infelizmente, o que esse todo o mundo não sabe – porque a preguiça intelectual os impede de perseguir a verdade – é que seus neurônios é que foram queimados há muito tempo pelas fogueiras imbecilizantes da TV e das escolas desse braziu varoniu.

A minoria feliz que tem acesso a dados expostos por historiadores de verdade sabe (agora sem aspas) que a caça às bruxas foi um fenômeno protestante, em nada relacionado com a Inquisição. É algo bem ao feitio dos crentes: sua típica obsessão pelo capeta gera mil superstições, medos e histeria. A Inquisição, muito ao contrário, salvou muitas pessoas de serem mortas pelos senhores feudais, que faziam “justiça” por sua própria conta.

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A galera de Hogwarts não teria sobrevivido à sanha dos protestantes naqueles tempos de caça às bruxas.

Destacamos um trecho de um artigo sobre a Inquisição do renomado historiador americano Thomas F. Madden (tradução nossa):
“O simples fato é que a Inquisição medieval salvou milhares de incontáveis ​​inocentes (e até mesmo não tão inocentes) pessoas que de outra forma teria sido torradas por senhores seculares. (…)
“Durante o século 16, quando a caça às bruxas varreu a Europa, nas regiões onde as inquisições eram melhor desenvolvidas a histeria foi contida. Em Espanha e Itália, inquisidores treinados investigaram as acusações de ‘Sabbath das feiticeiras’ e torrefação de bebês, e concluíram que aquelas eram infundadas. Em outros lugares, especialmente na Alemanha, os tribunais seculares ou religiosos queimaram bruxas aos milhares. Nota: A Alemanha do século XVI era já quase totalmente protestante.” (1)
É verdade que muitas pessoas, principalmente viúvas e suas filhas, foram realmente assassinadas na Europa Central. Só que NÃO PELA INQUISIÇÃO, mas pelos populares e pelos governantes seculares, que tinham todo o interesse em tomar posse de terras e suseranias. A Inquisição era chamada em muitos casos para dar um fim às barbaridades. Como ela fazia os relatos, muitos desses assassinatos caíram na conta dos inquisidores.

Não sou um historiador somente pelo diploma, mas pela análise que fiz do outro lado da moeda, pois estive ao lado dessas pestes – romancistas desonestos, e não historiadores – por mais tempo da minha vida do que gosto de lembrar. Mas tamanhas eram as inconsistências e as respostas apresentadas sem critério, baseadas não em fontes primárias, mas na simples opinião dessa gente, que, pela Glória de Nosso Senhor Jesus Cristo, pude ver que a verdade estava distante. O fato é que os protestantes mataram em 50 anos mais do que católicos em 500 anos em algumas partes da Europa. Isso são dados estatísticos baseados em processos analisados pela professora Anne Llewellyn Barstow (2), feminista radical, nada simpática ao cristianismo.

Isso sem contar, na Idade Moderna, a caça às bruxas promovida pelos puritanos ingleses que emigraram para a América do Norte. O episódio mais conhecido de toda esta desgraça é o do julgamento as bruxas de Salem, quando cerca de 30 pessoas – a maioria mulheres – foram mortas em um ano, acusadas de bruxaria.
Outro reconhecido historiador, Francisco Bethencourt, afirma:
“Confirmamos a idéia defendida neste livro: que a magia era considerada um “delito” menor pela Inquisição e pelas autoridades eclesiásticas, nunca tendo sido submetida a uma análise séria, tanto no nível quantitativo (291 processos em 11 743, ou seja, 2,5%) como no nível qualitativo (pouquíssimos casos de tortura, um caso de excomunhão, ou seja, de execução).” (3)
É bom notar que estes dados servem somente para esclarecer aqueles que possuem um mínimo de honestidade intelectual. Já aqueles que não se esforçam para reduzir os danos da lavagem cerebral a que foram submetidos desde criancinhas… estes não dariam o braço a torcer nem que uma “bruxa” ressuscitasse e testemunhasse a favor da Igreja, em pleno horário nobre da TV Globo.

Mas um dia suas línguas provarão do próprio veneno que espalham por aí, pois o Senhor lhes pedirá as contas por toda calúnia espalhada contra a sua Esposa.

FONTE: O Catequista

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Notas:
(1) Thomas F. Madden. The Real Inquisition Investigating the popular myth. (O artigo completo pode ser lido em nossos posts: Inquisição – onde há fumaça há fogo? (Parte I) e (Parte II)
(2) Anne Llewellyn Barstow. Chacina de Feiticeiras – Uma revisão histórica da caça às bruxas na Europa. Editora José Olympio
(3) Francisco Bethencourt. O Imaginário da Magia – Feiticeiras, adivinhos e curandeiros em Portugal no século XVI. Companhia das Letras, São Paulo, 2004 (O autor é Professor de História e regente da cátedra Charles Boxer no King’s College, Universidade de Londres).

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Ecumenismo será tema do encontro do Papa com seus ex-alunos.

A partir de quinta-feira, 30, até segunda, 3, os ex-alunos do professor Joseph Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, se reunirão para o tradicional encontro anual de verão, em Castel Gandolfo. O grupo é formado por docentes religiosos e leigos que discutiram teses nos anos em que Bento XVI foi professor.

O encontro deste ano terá como tema “Resultados ecumênicos e questões de diálogo com o Luteranismo e o Anglicanismo”, e será inspirado no livro do presidente emérito do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Cardeal Walter Kasper.

Os participantes serão acolhidos na manhã de sábado pelo Papa, que participará do dia de trabalhos. No domingo, 2, o grupo estará no pátio da residência, para a oração do Angelus. O encontro se encerrará oficialmente na segunda-feira, 3, depois da celebração da missa.

A 36ª edição do encontro terá a presença, dentre outros, do presidente da Conferência Episcopal Austríaca, Cardeal Christoph Schoenborn, e do presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Ecumênico, Cardeal Kurt Koch. Também estará lá o representante evangélico Ulrich Wilckens, que traduziu e comentou o Novo Testamento e cujas obras têm grande importância para o ecumenismo.

O primeiro encontro do então professor Ratzinger com seus doutorandos foi depois de sua nomeação como arcebispo de Munique e Frisinga, em 1977. Desde então, o evento se repete a cada ano, centrado em um tema escolhido pelo Pontífice dentre uma série de propostas.
 
FONTE: Canção Nova Notícias

Cardeal Brandmüller: a Missa de Paulo VI não é a Missa do Concilio. A Sacrosanctum Concilium nunca foi realmente implementada.

De uma entrevista concedida pelo Cardeal Walter Brandmüller ao Vatican Insider e publicada hoje. A última resposta, sobre a revolução litúrgica que nunca deveria ter acontecido e que destruiu o desenvolvimento orgânico do culto sagrado, é particularmente relevante.


O Concílio Vaticano Segundo foi um Concílio Pastoral que também ofereceu explicações dogmáticas. Já houve algo semelhante anteriormente na história da Igreja?
Cardeal Walter Brandmüller.
Cardeal Walter Brandmüller.

[Brandmüller:] Parece, de fato, que o Vaticano II marcou o início de um novo tipo de Concílio. A linguagem utilizada no seu transcorrer e a totalidade dos textos mostram que os padres conciliares não estavam tão motivados pela necessidade de passar um julgamento sobre novas questões eclesiásticas e teológicas polêmicas, mas sim pelo desejo de voltar a atenção à opinião pública dentro da Igreja e todo o mundo, no espírito do anúncio.

O Concílio não deveria ser declarado um fracasso, já que após cinquenta anos os fiéis não o acolheram calorosamente? Bento XVI alertou contra uma interpretação errônea do Concílio, particularmente em termos de hermenêutica da [ruptura]…

[B:] Essa é uma daquelas questões clichês que remontam a um novo sentimento existencial; aquele sentimento de confusão, que é típico de nossos tempos. Porém, o que significa cinquenta anos, afinal de contas?! Retroceda o seu pensamento ao Concílio de Nicéia, em 325. As disputas ao redor do dogma deste Concílio – sobre a natureza do Filho, ou seja, se Ele é da mesma substância do Pai ou não – continuaram por mais de cem anos. Santo Ambrósio foi ordenado Bispo de Milão por ocasião do cinquentenário do Concílio de Nicéia e teve que lutar duro contra os arianos que se recusavam a aceitar as disposições nicenas. Pouco tempo mais tarde veio um novo Concílio: o Primeiro Concílio de Constantinopla de 381, que foi considerado necessário a fim de concluir a profissão de fé de Nicéia. Durante este Concílio, Santo Agostinho recebeu a tarefa de tratar de solicitações e refutar hereges até a sua morte, em 430. Francamente, mesmo o Concílio de Trento não foi muito frutuoso até o Jubileu de Ouro de 1596. Foi necessária uma nova geração de Bispos e prelados para amadurecer no “espírito do Concílio” antes que seu efeito pudesse efetivamente ser sentido. Precisamos nos conceder um pouco mais de espaço para respirarmos
.
Agora falemos sobre os frutos que o Vaticano II produziu. O senhor pode comentar sobre isso?

[B:] Primeiramente, é claro, o “Catecismo da Igreja Católica” em comparação ao Catecismo Tridentino: após o Concílio de Trento, o Catecismo Romano foi lançado a fim de oferecer aos párocos, pregadores e etc. diretrizes sobre como pregar e anunciar o Evangelho ou evangelizar.

Mesmo o Código de Direito Canônico de 1983 pode ser considerado uma consequência do Concílio. Preciso enfatizar que a forma da liturgia pós-conciliar com todas as suas distorções não é atribuível ao Concílio ou à Constituição sobre a Liturgia estabelecida durante o Vaticano II, que, a propósito, não foi efetivamente implementada mesmo hoje em dia. A retirada indiscriminada do Latim e do Canto Gregoriano das celebrações litúrgicas e a construção de inúmeros altares não foram absolutamente atos prescritos pelo Concílio.

Com o benefício de retrospectiva, voltemos nosso pensamento particularmente à falta de sensibilidade demonstrada em termos de cuidado pelos fiéis e na falta de cuidado pastoral demonstrado na forma litúrgica. Basta pensar dos excessos da Igreja, reminiscente da [crise iconoclasta] que ocorreu no século XVIII. Excessos que impulsionaram inúmeros fiéis ao caos total, deixando muitos andando no escuro.

Quase tudo foi dito sobre esse assunto. Nesse meio tempo, a liturgia chegou a ser vista como uma imagem em espelho da vida da Igreja, sujeita a uma evolução histórica orgânica que não pode – como sem dúvida ocorreu – ser repentinamente alterada pelo decreto par ordre de mufti. E ainda estamos pagando o preço hoje em dia.

 [Fonte, adaptado]

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Deu a doida no clero de Pesqueira foi?

Parece que deu a doida em alguns membros do clero da Diocese de Pesqueira.

Além da "Missa Maçônica" de Belo Jardim, celebrada pelo Pe. Geraldo de Magela. Sou hoje, que também, o Pe. José Gomes (Pe. nilson), pároco da Paróquia Sagrado Coração de Jesus ma cidade de Sanharó, celebrou missa pelo dia do maçon.

Seguem fotos:

Roma: roubada relíquia de João Paulo II

Roma (Rádio Vaticano) – Um caso curioso vivido ontem, terça-feira, em Roma. Foi roubado na parte da manhã e encontrado três horas depois um relicário com uma ampola contendo sangue do Bem-aventurado João Paulo II. A relíquia, subtraída com engano, durante uma viagem de trem, a um sacerdote que a estava levando da capital para a localidade de Allumiere, norte de Roma, onde seria exposta, foi encontrada pela Polícia ferroviária da capital italiana.

O relicário – em bronze prateado e dourado, obra do artista Carlo Balljana – foi abandonado pelos ladrões em meio a arbustos perto da estação de Marina di Cerveteri, norte de Roma. De acordo com a polícia, trata-se da chamada ‘cópia peregrina’ do relicário: o original está guardado na Igreja de Santa Maria Imaculada, no bairro de São João, onde esteve na manhã de ontem o Padre Augusto Baldini, Pároco da Igreja de Santa Maria da Assunção de Allumiere.

“Passei cinco horas de angústia – disse à agência ANSA o sacerdote -; a polícia foi muito eficiente. Na ampola, que se encontra dentro do relicário, é guardado o sangue retirado de Papa Wojtyla após o atentado de 13 de maio de 1981. Devolveram-me o objeto sagrado e nesta quarta-feira será exposto em Allumiere, por ocasião do 25º aniversário da visita Papa João Paulo II à localidade, quando coroou a imagem de Nossa Senhora das Graças”.

A RESPOSTA CATÓLICA: Afinal, os padres são ou não obrigados a usar um hábito eclesiástico?

"Rezar não é perder tempo!" - lembra o Papa no encontro com os fiéis

Castel Gandolfo (Rádio Vaticano) – Nesta última quarta-feira do mês de agosto, a Igreja recorda a memória litúrgica do martírio de São João Batista, o único santo do qual se celebra o nascimento, em 24 de junho, e a morte, por meio do martírio.

Este foi o tema do encontro do Pontífice com os peregrinos e turistas que foram a Castel Gandolfo para a audiência geral. Em sua catequese, Bento XVI lembrou que a memória do Santo é muito antiga: as primeiras provas de seu culto datam do IV século.

As referências históricas no Evangelho bem ilustram a relação de João Batista com Jesus. Lucas, por exemplo, narrou o nascimento, a vida no deserto, a pregação; enquanto Marcos nos falou de sua dramática morte.

De fato, num gesto final, João Batista testemunhou com o sangue sua fidelidade aos mandamentos de Deus, sem ceder ou retroceder, realizando sua missão até o fim. Ele não se limitou a pregar a penitência, mas teve a humildade de indicar Jesus como “Enviado de Deus”, colocando-se de lado para que o Senhor pudesse crescer, ser ouvido e seguido.

Depois desta introdução, Bento XVI perguntou aos fiéis:

“De onde nasceu esta vida tão dedicada a Deus?”. “A resposta é simples” – disse o Papa: “da oração, fio condutor de toda existência”.

João foi um dom divino, pois Zacarias e Isabel não podiam ter filhos, eram idosos e Isabel era estéril. “Mas nada é impossível para Deus”, e o anúncio do nascimento do menino aconteceu justamente quando seu pai entrava no templo de Jerusalém, o templo da oração.

Enfim, toda a existência do Precursor de Jesus, especialmente o período passado no deserto, foi alimentada por seu relacionamento com Deus. O deserto era um lugar de tentações, mas ao mesmo tempo, onde o homem sentia a sua própria pobreza, onde não encontrava apoio e nem certezas materiais, e onde compreendia que sua única referência sólida era sempre Deus.

Terminando sua catequese, o Papa recordou que “o exemplo de João Batista nos diz que não podemos ‘negociar’ nosso amor por Cristo, por Sua Palavra e pela Verdade.


“A vida cristã exige o ‘martírio’ da fidelidade cotidiana ao Evangelho, a coragem de deixar que Cristo cresça em nós, oriente nossos pensamentos e atitudes”.

Mas – ressaltou o Papa – isso só pode acontecer se nossa relação com Deus for sólida. Rezar não é perder tempo, não é roubar tempo de outras atividades; mas é o contrário: se formos capazes de manter uma vida de oração fiel, constante, o próprio Deus nos dará a capacidade e a força para viver de modo feliz, superar as dificuldades e testemunhá-Lo com coragem”.

Encerrada a catequese, Bento XVI passou a saudar a multidão em várias línguas, como o português:

Amados peregrinos de Portugal e do Brasil, e demais pessoas de língua portuguesa, sede bem-vindos! Uma saudação particular aos fiéis de Chã Grande, Natal e do Rio de Janeiro. Que o exemplo e a intercessão de São João Batista vos ajudem a viver a vossa entrega a Deus sem reservas, sobretudo por meio da oração e da fidelidade ao Evangelho, para que Cristo cresça em vós, guiando os vossos pensamento e ações. Com estes votos, de bom grado a todos abençôo”. RealAudioMP3

Devido ao grande número de fiéis, a audiência da manhã desta quarta-feira se realizou na Praça da Liberdade, na frente da residência pontifícia. Em meio às centenas de grupos de vários países, vieram da França cerca de 2.600 participantes da peregrinação nacional dos ministrantes da França, liderada por dez bispos e uma centena de sacerdotes e seminaristas, provenientes de metade das dioceses do país.

A peregrinação tem o tema “Servir o Senhor, alegria do homem, alegria de Deus”, e aos coroinhas, o Papa fez uma saudação especial:

Queridos jovens, o serviço que vocês fazem tão fielmente lhes permite estar particularmente perto de Jesus Cristo na Eucaristia. Vocês têm o enorme privilégio de estar perto do altar, perto do Senhor. Sejam cientes da importância deste serviço para a Igreja e para si mesmos. Que este seja uma oportunidade para você crescerem na amizade e no relacionamento pessoal com Jesus. Não tenham medo de comunicar com entusiasmo a quem está ao seu redor a alegria que recebem de Sua presença! E se um dia vocês ouvirem seu chamado para segui-lo no caminho do sacerdócio ou da vida religiosa, respondam com generosidade!”.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Ratzinger, o Vaticano II e aquele verão de 1962.

IHU – Há meio século, o futuro papa estava “sob pressão” por causa de seu papel de consultor teológico em vista do iminente Concílio.

A reportagem é de Gianni Valente, publicada no sítio Vatican Insider, 24-08-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

No quieto verão de Castel Gandolfo, Bento XVI concluiu a escrita do seu último livro sobre a vida de Jesus, e dizem que ele está definindo as principais linhas da sua quarta encíclica papal.

Há 50 anos atrás, também, o Joseph Ratzinger de 35 anos – que naquele período lecionava teologia fundamental na Universidade de Bonn – estava lidando com os fascículos para estudar, os rascunhos para corrigir e os textos para preparar.
 
Naquele época, o que estava o submetendo a dias intensos de excesso de trabalho eram os pedidos provenientes do arcebispo de Colônia, Joseph Frings, que o escolhera como seu consultor teológico em vista do Concílio e pretendia se valer da sua ajuda já nos agitados estágios finais da fase preparatória da cúpula conciliar.

Frings era membro da Comissão Preparatória Central do Concílio, e já nessas vestes se candidatava com os seus discursos e as suas iniciativas ao papel de futuro personagem central do Vaticano II.

Graças a Frings, Ratzinger tivera acesso, ainda na primavera de 1962, aos esquemas dos documentos elaborados pelas comissões preparatórias para serem discutidos e aprovados no Concílio. Entre maio e setembro, como documentam os renomados estudos históricos de Norbert Trippen e do jesuíta Jared Wicks, Ratzinger analisou em nome de Frings boa parte do material produzido pelos órgãos envolvidos na fase preparatória, fazendo julgamentos lúcidos, claros e muitas vezes surpreendentes.

Por exemplo, em uma carta enviada em maio ao padre Hubert Luthe – o secretário de Frings, que havia sido seu colega de estudos na faculdade teológica de Munique –, Ratzinger valorizava com tons entusiasmados principalmente os esquemas produzidos pelo Secretariado para a Unidade dos Cristãos, o órgão que, sob a liderança do cardeal Augustin Bea, iria progressivamente se delineando como interlocutor dialético com relação à Comissão Teológica, presidida pelo secretário do Santo Ofício, Alfredo Ottaviani.

Entre os esquemas assinados por Bea também figuram os esboços primordiais dos futuros decretos conciliares sobre o ecumenismo e sobre a liberdade religiosa. “Se fosse possível orientar o Concílio a ponto de assumir esses textos”, escreveu Ratzinger ao secretário de Frings, ainda em maio de 1962, “isso certamente valeria a pena e se alcançaria um verdadeiro progresso. Aqui, realmente se fala a linguagem que é útil ao nosso tempo, que pode ser compreendida também por todos os homens de boa vontade”.

No fim de junho, ainda sob o mandato de Frings – que nesses meses tornou-se o porta-voz da crescente insatisfação de amplos setores dos Episcopados europeus pela forma como estava procedendo a fase preparatória do Concílio –, Ratzinger redige até o esboço de uma Constituição Apostólica que defina sinteticamente e com clareza didática os objetivos do Vaticano II antes do seu início: três páginas datilografadas em latim, nas quais o jovem teólogo bávaro começa a partir de uma observação realista das circunstâncias históricas em que o Concílio foi convocado (“a luz divina parece obscurecida, e Nosso Senhor parece ter adormecido em meio à tempestade e às ondas de hoje”) e conclui valorizando a atualidade do modelo de anúncio mostrado por São Paulo, que, para dar testemunho de Jesus Cristo, “tornou-se tudo para todos” (1Cor 9, 22).

O discernimento crítico exercido por Ratzinger sobre os textos produzidos na fase preparatória do Concílio atingiu o seu pico em setembro de 1962. A menos de um mês da abertura do Vaticano II, Ratzinger o aplicou diretamente ao primeiro conjunto de sete esquemas elaborados de forma definitiva pelas comissões preparatórias, sob inspiração predominante dos órgãos doutrinais da Cúria Romana.

Em um texto concluído por Ratzinger em meados de setembro – e “redirecionado” com sua própria assinatura e sem maiores acréscimos pelo cardeal Frings ao secretário de Estado, Amleto Cicognani –, as avaliações positivas são reservadas apenas aos dois esquemas sobre a renovação litúrgica e sobre a unidade com as Igrejas do Oriente. Segundo o professor de Bonn, somente tais textos de trabalho “correspondem muito bem ao objetivo do Concílio estabelecido pelo Romano Pontífice”.

Se a intenção é “a renovação da vida cristã e a adaptação da disciplina da Igreja às necessidades de hoje”, é metodologicamente importante evitar que o Concílio atole desde o seu início “em questões complicadas levantadas pelos teólogos, que as pessoas do nosso tempo não podem aferrar e que acabam as perturbando”.

Todos os outros esquemas – especialmente os elaborados pela Comissão Teológica Preparatória, presidida pelo cardeal Ottaviani – são julgados por Ratzinger como “muito escolásticos”. Em particular, foi rejeitado o esquema sobre a preservação da pureza do depositum fidei (“é tão carente que, dessa forma, não pode ser proposto ao Concílio”). Com relação ao dedicado às “fontes” da divina Revelação, Ratzinger sugere mudanças substanciais de estrutura e de conteúdo. Enquanto os dedicados à ordem moral cristã, à virgindade, à família e ao casamento são liquidados por ele com argumentos de oportunidade pastoral. Estes, segundo Ratzinger, “sobrecarregam o leitor com a sua excessiva abundância de palavras”.

Os textos conciliares – repete o jovem professor de Bonn – “deveriam dar respostas às questões mais urgentes e deveriam fazer isso, dentro do possível, não julgando e condenando, mas sim usando uma linguagem materna, com uma ampla apresentação das riquezas da fé cristã e das suas consolações”. Das contribuições oferecidas ao cardeal Frings já na fase preparatória do Concílio, intui-se que Joseph Ratzinger não chegou ao encontro com o Vaticano II de maneira despreparada. O jovem professor bávaro apareceu bem consciente do que estava em jogo naquele evento eclesial, mesmo antes do seu início. Na sua colaboração com Frings, Ratzinger se predispõe, já desde então, a um armamentário flexível, mas bem perfilado, de propostas e reflexões, que depois darão densidade à sua intensa participação na aventura.
 

DECLARAÇÃO DA SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

 SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

DECLARAÇÃO
SOBRE A PARTICIPAÇÃO DE CATÓLICOS
 À ASSOCIAÇÕES MAÇÔNICAS

(Declaratio de canonica disciplina quae sub poena excommunicationis vetat ne catholici nomen dent sectae massonicae aliisque eiusdem generis associationibus)

Em data de 19 de Julho de 1974, esta Congregação escrevia a algumas Conferências Episcopais uma carta reservada sobre a interpretação do cân. 2335 do Código de Direito Canónico, que veta aos católicos, sob pena de excomunhão, inscreverem-se nas associações maçónicas e outras semelhantes.

Dado que a citada carta, tornada de domínio público, deu margem a interpretações erróneas e tendenciosas, esta Congregação, sem querer prejudicar as eventuais disposições do novo Código, confirma e precisa quanto segue:

1. não foi modificada de algum modo a actual disciplina canónica que permanece em todo o seu vigor;

2. não foi, portanto, ab-rogada a excomunhão nem as outras penas previstas;

3. quanto na citada carta se refere à interpretação a ser dada ao cânone em questão, deve ser entendido, como intencionava a Congregação, só como um apelo aos princípios gerais da interpretação das leis penais para a solução dos casos de cada pessoa, que podem ser submetidos ao juízo dos Ordinários. Não era, pelo contrário, intenção da Congregação confiar às Conferências Episcopais o pronunciar-se publicamente com um juízo de carácter geral sobre a natureza das associações maçónicas que implique derrogação das mencionadas normas.

Roma, da sede da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, 17 de Fevereiro de 1981.


Fonte: L’Osservatore Romano, Edição semanal em Português, Número 10, de 8 de Março de 1981. pág. 2.

Papa envia condolências às vítimas da explosão na Venezuela

O Papa Bento XVI, em mensagem assinada pelo secretário de Estado, Cardeal Tarcísio Bertone, expressou suas condolências pelas vítimas da explosão acontecida nesses últimos dias na refinaria petrolífera de Amuay, na Venezuela. A mensagem foi enviada ao arcebispo de Cumaná e presidente da Conferência Episcopal Venezuelana, Dom Diego Rafael Padrón Sánchez.

Veja abaixo a íntegra da mensagem:

Cidade do Vaticano, 28 de agosto de 2012
Secretaria de Estado da Santa Sé

TELEGRAMA

Dom Diego Rafael Padrón Sánchez
Arcebispo de Cumaná e presidente da Conferência Episcopal Venezuelana
Cumaná

Sua Santidade o Papa Bento XVI, profundamente entristecido pela notícia do grave acidente na refinaria de Amuay, Estado Falcon, que fez numerosas vítimas e danos materiais, oferece sufrágios ao senhor pelo eterno descanso dos falecidos, ao mesmo tempo em que deseja expressar sua paterna proximidade espiritual aos feridos, assim como a todos as vítimas e seus familiares.

Além disso, o Papa encoraja toda a comunidade civil e eclesial da Venezuela a prestar com caridade e espírito de solidariedade cristã a ajuda necessária a quantos tenham perdido suas casas ou bens pessoais. Com estes sentimentos, o Santo Padre impõe sobre os afetados e aos que os socorrem a confortadora benção apostólica, como sinal de afeto ao querido povo venezuelano.

Cardeal Tarcísio Bertone
Secretário de Estado

FONTE: Canção Nova Notícias

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Restos mortais de Dom Helder Câmara são levados à Igreja da Sé

Do Apostolus Christi, com Rádio Vaticano


Nesta segunda-feira, 27, os restos mortais do arcebispo emérito de Olinda e Recife, Dom Helder Câmara, foram trasladados para uma capela especialmente projetada para recebê-los na Catedral do Santíssimo Salvador do Mundo, em Olinda. Até então, os restos mortais de Dom Hélder estavam guardados em um túmulo provisório em frente ao altar da Igreja da Sé.

O ato se deu ao final da Missa presidida pelo arcebispo etropolitano de Olinda e Recife, sua excelência reverendíssima dom Antônio Fernando Saburido, OSB. Sendo concelebrada por suas excelências reverendísimas Dom José Luiz Ferreira Salles, CSsR (Bispo de Pesqueira-PE); Dom Frei Magnus Henrique Lopes, OFMCap (Bispo de Salgueiro-PE); Dom Frei Severino Batista de França, OFMCap (Bispo de Nazaré da Mata); e Dom Bernardino Marchió (Bispo de Caruaru-PE). Além dos vigários episcopais da supracitada arquidiocese e grande número de sacerdotes. Participaram também o Governador do Estado e o Prefeito de Olinda.

O gesto é uma justa homenagem uma homenagem à memória do arcebispo 13 anos após sua morte. Mais que uma liderança religiosa, Dom Helder era referência na luta pela paz e pela justiça social; seus exemplos e palavras foram perpetuados até hoje.

Junto dos restos mortais de dom Hélder, serão colocados também os despojos do Padre Antônio Henrique Pereira Neto e de Dom José Lamartine, ambos amigos do arcebispo. Padre Antônio Henrique foi assessor da Pastoral da Juventude durante o pastoreio de Dom Hélder e Dom José Lamartine, bispo auxiliar. 

O trabalho de Dom Hélder é conhecido em todo o mundo. Ele foi arcebispo de Olinda e Recife e também desempenhou funções em organizações não-governamentais, movimentos estudantis e operários, ligas comunitárias contra a fome e a miséria. Sofreu retaliações e perseguições por parte das autoridades do regime militar brasileiro.

A Igreja das Fronteiras, bairro da Boa Vista, ficou cheia de fiéis e emoção na manhã deste domingo, 26. Às 11h, padre Sebastião Sá celebrou missa em homenagem a Dom Hélder Câmara, dando prosseguimento à programação que decorre desde a última sexta-feira, para lembrar o aniversário da morte do arcebispo. O local foi escolhido porque lá Dom Hélder viveu os seus últimos dias, até falecer, em 27 de agosto de 1999.

A recordação dos 34 anos da morte de João Paulo I, o "Papa do sorriso"

Cidade do Vaticano (Rádio Vaticano) - No dia 26 de agosto de 1978, 34 anos atrás, era escolhido à Cátedra de Pedro o então Patriarca de Veneza, Cardeal Albino Luciani, que tomou o nome de João Paulo I, em homenagem aos seus dois ilustres predecessores: João XXIII e Paulo VI, que tinha falecido 20 dias antes. O “Papa do sorriso” foi encontrado morto no seu leito na manhã de 28 de setembro, apenas 33 dias após a sua eleição, mas a brevidade do seu Pontificado não ofusca a grandeza.

Em um longo artigo assinado por Dom Vincenzo Bertolone, Arcebispo metropolita de Catanzaro-Squillace e biógrafo de Papa Luciani, o jornal vaticano L’Osservatore Romano recordou neste domingo o seu legado e o seu convite aos fiéis a tomarem cada vez mais consciência das suas responsabilidades e a serem testemunhas da fé.

No seu discurso “urbi et orbi”, João Paulo I reafirmou à Igreja que o seu primeiro dever era o da evangelização e exortou a continuar o esforço ecumênico. No discurso de 10 de setembro, dirigido aos representantes da imprensa internacional, pediu a eles que “se aproximassem mais dos seus semelhantes para perceber melhor a ânsia de justiça, paz, de fraternidade, e instaurar com eles vínculos mais profundos de participação, de entendimento e de solidariedade em vista de um mundo mais justo e humano”.

Os quatro discursos da audiência geral da quarta-feira do “Papa humilde”, foram, precisamente, concentrados no tema da humildade, da fé, da esperança e da caridade, e pronunciados com um estilo todo pessoal que fez emergir imediatamente a vocação do Santo Padre à missão pastoral e catequética.

Outros nomes com os quais é recordado, de fato, são “Papa catequista” e “Papa pároco do mundo”, sublinhando assim o seu amor pela catequese, entendido como paixão comunicativa a serviço da verdade cristã e não como forma reduzida de evangelização.

Neste ano celebra-se ainda o centenário do nascimento do “Sorriso de Deus”: Papa Luciani, de fato, nasceu em Canale d’Agordo, na Província de Belluno, em 17 de outubro de 1912 e nos locais de sua origem já tiveram início os festejos com exposições de arte sacra e encontros a ele dedicados.

domingo, 26 de agosto de 2012

Pedacinho do céu

Altar Mor da Capela Nossa Senhora da Medalha Milagrosa no número 140, da rua do Bac, Paris - França

Bento XVI: "A falsidade é a marca do diabo", afirma papa na oração do Angelus Domini

Castel Gandolfo (Rádio Vaticano) – “A falsidade é a marca do diabo”, e foi essa a “culpa mais grave” de Judas. Neste domingo durante o Angelus o Papa Bento XVI se deteve sobre a figura de Judas, o Apóstolo que traiu Jesus, comentando a passagem evangélica sobre os discípulos que abandonaram Cristo não acreditando nas suas palavras sobre o seu ser “pão vivo descido do céu”.

“Por quê? Porque não acreditaram nas palavras de Jesus, que dizia: Eu sou o pão vivo que desceu do céu, aquele que come a minha carne e bebe o meu sangue viverá para sempre (cf. Jo 6,51.54). Essa revelação era para eles incompreensível, porque a entendiam apenas no sentido material, enquanto naquelas palavras foi pré-anunciado o mistério pascal de Jesus, no qual Ele daria si mesmo pela salvação do mundo”.
Como em outros casos, - continuou o Papa - é Pedro, a responder em nome dos Doze: “Senhor, para quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna e nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus” (Jo 6:68-69). Nesta passagem, temos um belo comentário de Santo Agostinho, que disse: “Vejam como Pedro, pela graça de Deus, por inspiração do Espírito Santo, compreendeu? Por que compreendeu? Porque acreditou. Tu tens palavras de vida eterna. Tu nos dás a vida eterna, oferecendo o teu corpo e o teu sangue. E nós cremos e conhecemos. Ele não disse: nós conhecemos e cremos, mas nós cremos e conhecemos. Nós cremos para poder conhecer; se, de fato, quiséssemos conhecer antes de crer, não teríamos conseguido nem conhecer, nem crer.

“Jesus – disse ainda o Papa aos fiéis reunidos no pátio interno da Residência Apostólica de Castel Gandolfo – sabia também que entre os doze Apóstolos havia um que não acreditava: Judas. Também Judas poderia ter ido embora, como fizeram muitos discípulos, ou melhor, deveria ter ido embora, se tivesse sido honesto”.

“Ao invés ficou com Jesus”- prosseguiu Bento XVI. Ficou não por causa da fé, nem por amor, mas com a intenção secreta de se vingar do Mestre. Por quê? Porque Judas se sentia traído por Jesus, e decidiu que, por sua vez, iria traí-lo.

“Judas era um Zelota, e queria um Messias vencedor, para guiar uma revolta contra os romanos. Mas Jesus tinha decepcionado essas expectativas. O problema é que Judas não foi embora, e sua culpa mais grave foi a falsidade, que é a marca do diabo. Por isso Jesus disse aos Doze: "Um de vós é um diabo" (Jo 6,70)”.
O Papa concluiu com o convite a rezar a Nossa Senhora, “para que nos ajude a crer em Jesus, como São Pedro, e a sermos sempre honestos com Ele e com todos” .Em seguida concedeu a todos a sua Benção Apostólica.

Bento XVI contribui para a restauração da Basílica de Santo Agostinho, na Argélia

Cidade do Vaticano (Rádio Vaticano) - O Papa Bento XVI fará uma contribuição pessoal aos trabalhos de restauração da Basílica de Santo Agostinho, localizada na cidade de Annaba, na Argélia. Segundo o jornal vaticano L'Osservatore Romano, além do Pontífice, também contribuíram para a reforma várias autoridades francesas e argelinas, instituições públicas, ordens religiosas e dioceses. O Bispo de Constantine-Hipona, Dom Paul Desfarges, destacou a importância da Basílica de Santo Agostinho diante da “atenção dada pelo Papa à iniciativa”.

Dom Desfarges disse que a ONG Papal Foundation “já havia contribuído, mas Bento XVI, sabendo da necessidade de restauração do antigo templo, quis participar do financiamento com uma contribuição particular”. “Todos nós sabemos o quanto o Pontífice admira Santo Agostinho. Sabemos também que a Basílica não é apenas um local de culto. Toda a colina de Annaba é um local simbólico, um lugar transcultural, transreligioso, e isso se deve à figura de Santo Agostinho que espalha esses valores através do seu humanismo, fé e cultura”, completou o bispo.

Santo Agostinho nasceu em Tagaste, em 354 d.C., e foi Bispo de Hipona (atualmente Annaba) entre 395 e 430 d.C. . Ele é considerado uma das figuras mais importantes para o desenvolvimento do cristianismo no Ocidente. (SP)

sábado, 25 de agosto de 2012

Ordenação Diáconal de Cleiton Barros de Souza

Na noite de ontem (24/08), festa do Apóstolo São Bartolomeu, na cidade de Brejo da Madre de Deus - Pernambuco, foi ordenado diácono, pelas mãos de sua Excelência Reverendíssima Dom José Luiz Ferreirra Salles, CSsR, Bispo Diocesano de Pesqueira, o seminarista Cleiton de Barros Souza, filho da Paróquia de São Félix de Cantalice, situada na cidade de Buíque - Pernambuco, incardinada a essa mesma Diocese de Pesqueira, estando ele, atualmense desenvolvendo estágio pastoral na Paróquia de São José de Botas, na mesma cidade do Brejo da Madre de Deus.

A solene concelebração Eucarística teve início por volta das 19h00 com a Statio, saindo da Igreja de Nossa Senhora do Bom Conselho em direção a Igreja Matriz de São José de Botas. Chegando a matriz, o cortejo entrou solenemente ao som da Marcha da Igreja, entoado pelo coral do Seminário Interdiocesano de Nossa Senhora das Dores da cidade de Caruaru - Pernambuco.

Após a liturgia da Palavra, na qual foram proclamados os textos próprios da festa de São Bartolomeu, a saber: Apocalipse 21,9b-14 / Salmo 144 / João 1,45-51. O candidato foi convidado a apresentar-se, e após o que esta prescrito no Pontifical Romano, foi acatado o pedido de ordenação realizado pelo magnífico e reverendíssimo Pe. Luiz Benevaldo, reitor do Seminário São José na cidade de Pesqueira - Pernambuco.

Em sua homilia, o Sr. Bispo, expôs o sentido da diáconia na Igreja desde os tempos apostólîcos, proferindo a seguinte frase: "O diácono era chamado ouvidos, boca e coração do Bispo". "Você cleiton deve viver o seu diáconato com o coração misericordioso", continuou o prelado. 

Após a homilia, o eleito foi interrogado pelo senhor Bispo sobre os seus desejos de ser consagrado a Igreja, de desempenhar o serviço aos irmãos, de proclamar o santo evangelho aos povos, abraçar o celibato, recitar o Ofíco Divino cotidianamente, de imitar a Cristo, e por fim de prometer obediência e fidelidade aos legítimos sucessores dos apóstolos. Em seguida, enquanto o eleito prostava-se a assembléia pedia a intercessão daqueles que nos precederam na beatifica visão celestial, entoando a Litaniæ Sanctorum.

Com a imposição das mãos de Dom José Luiz e a Oração Consecratória, o eleito recebeu de fato e direito a Sagrada Ordenação, no grau do diáconato. Tendo sido, então, revestido com as vestes pertinentes a esse ministério, a Estola transversal e a Damática, e recebeu o Livro dos Evangelhos do qual foi "insituido mensageiro".

A celebração prosseguiu com a preparação da mesa do altar para o ofertório, na qual o neo-diácono tomou parte.

A esta digníssima celebração, como sugerido pelo prórpio pontifical, devido a importência desse sacramento, foi proferiada a Oração Eucarística I, Canôm Romano, com o prefácio prórpio.

Após a solene celebração o neo-diácono, recebeu os cumprimentos do povo santo, que ali foi para viver com ele este especial momento de graças para a sua vida e para a vida da Igreja em nossa Diocese e no mundo.


DOCUMENTOS DA IGREJA SOBRE A MAÇONARIA

Ainda sobre maçonaria e Igreja católica, a partir da missa para maçonária celebrada em Belo Jardim pelo Pe. Geraldo de Magela Silva.

O que diz a Igreja Católica?

D. João Evangelista Martins Terra, bispo auxiliar da Arquidiocese de Brasília, doutor em Filosofia e Teologia,, escreveu um livro que aborda justamente este assunto: "Maçonaria e Igreja Católica", que é uma pesquisa histórica sobre a maçonaria, sua expansão e situação no mundo de hoje, especialmente no Brasil. Faz uma análise dessa organização e apresenta a posição da Igreja Católica pós-conciliar.

Usaremos este livro para mostrar a posição da Igreja Católica para com a maçonaria e como ela orienta a seus fiéis e clérigos.

O CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO (Obra citada, pág. 70 a 72)

"O Código de Direito Canônico de 27-5-1917 contém os seguintes cânones relativos à maçonaria":

Cân. 684: "Os fiéis fugirão das associações secretas, condenadas, sediciosas, suspeitas ou que procuram subtrair-se à legítima vigilância da Igreja".

Cân. 2333: "Os que dão seu próprio nome à seita maçônica ou a outras associações do mesmo gênero, que maquinam contra a Igreja ou contra os legítimos poderes civis, incorrem ipso facto na excomunhão simpliciter reservata à Sé Apostólica".

Cân. 2336: "Os clérigos que cometeram o delito de que tratam os cânones 2334 e 2335 devem ser punidos, não somente com as penas estabelecidas nos cânones citados, mas também com a suspensão ou privação do mesmo benefício, ofício, dignidade, pensão ou encargo que possam ter na Igreja; os religiosos, pois com a privação do ofício e da voz ativa e passiva e com outras penas de acordo com suas constituições. Os clérigos e os religiosos que dão o nome à seita maçônica ou a outras associações semelhantes devem, além disso, ser denunciados à Sagrada Congregação do Santo Ofício".

Cân. 1399, nº 8 - são ipso facto proibidos: "Os livros que, tratando das seitas maçônicas ou de outras associações análogas, pretendem provar que, longe de serem perniciosas, elas são úteis à Igreja e à sociedade civil".

Ver ainda os cânones: 693; 1065; § 1 e § 2, 1240; 1241.

"Desses cânones do Código de 1917 resulta claramente que:

Todo aquele que se inicia na maçonaria, incorre, só por este fato, na pena de excomunhão (cân. 2335).

Por ter incorrido na excomunhão, todo maçom: a) deve ser afastado dos sacramentos (confirmação, confissão, comunhão, unção dos enfermos), ainda que os peça de boa fé (cân. 2138, § 1); b) perde o direito de assistir aos ofícios divinos, como sejam: A Santa Missa, a recitação pública do Ofício Divino, procissões litúrgicas, cerimônias da bênção dos ramos etc. (cf. cân. 2259, § 1; 2256, n. 1); c) é excluído dos atos eclesiásticos legítimos (cân. 2263), pelo que não pode ser padrinho de batismo (cân. 765, n. 2) nem de crisma (cân. 795, n. 1); d) não tem parte nas indulgências, sufrágios e orações públicas da Igreja (cân. 2262, § 1).

O maçom não pode ser admitido validamente nas associações ou irmandades religiosas (cân. 693).

Os fiéis devem ser vivamente desaconselhados de contrair matrimônio com maçons (cân. 1065, § 2).

Só após prévia consulta do bispo e garantida a educação católica dos filhos, pode o pároco assistir ao casamento com um maçom (cân. 1065, § 2).

O maçom falecido, sem sinal de arrependimento, deve ser privado da sepultura eclesiástica (cân. 1240).

Deve-se negar aos maçons qualquer missa exequial, assim como quaisquer ofícios fúnebres públicos (cân. 1241).

O Santo Ofício declarou, no dia 20 de abril de 1949, numa resposta ao bispo de Trento, que nada tinha mudado na disciplina do Código de Direito Canônico a respeito da maçonaria".

Façamos então uma nova pergunta: A situação hoje ainda é a mesma? Ou houve alguma mudança?

Em 27 de novembro de 1983, entrou em vigor um novo Código de Direito Canônico: "O Novo Código apresenta um cânon relativo à maçonaria":

Cân. 1374: "Quem se inscrever em alguma associação que maquina contra a Igreja seja punido com justa pena; e quem promover ou dirige uma dessas associações, seja punido com interdito". (Obra citada, pág. 99).

No mesmo dia em que entrava em vigor o novo Código de Direito Canônico, L´Osservatore Romano publicava esta Declaração da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, sobre a maçonaria:

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CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

DECLARAÇÃO SOBRE A MAÇONARIA

Foi perguntado se mudou o parecer da Igreja a respeito da maçonaria pelo facto que no novo Código de Direito Canónico ela não vem expressamente mencionada como no Código anterior.

Esta Sagrada CongregaçAo quer responder que tal circunstância é devida a um critério redaccional seguido também quanto às outras associações igualmente não mencionadas, uma vez que estão compreendidas em categorias mais amplas.

Permanece portanto imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçónicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a inscrição nelas. Os fiéis que pertencem às associações maçónicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão.

Não compete às autoridades eclesiásticas locais pronunciarem-se sobre a natureza das associações maçónicas com um juízo que implique derrogação de quanto foi acima estabelecido, e isto segundo a mente da Declaração desta Sagrada Congregação, de 17 de Fevereiro de 1981 (cf. AAS 73, 1981, p. 240-241).

O Sumo Pontífice João Paulo II, durante a Audiência concedida ao subscrito Cardeal Prefeito, aprovou a presente Declaração, decidida na reunião ordinária desta Sagrada Congregação, e ordenou a sua publicação.

Roma, da Sede da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, 26 de Novembro de 1983.

Joseph Card. RATZINGER
Prefeito

+ Fr. Jérôme Hamer, O.P.
Secretário
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 CARTA ENCÍCLICA
HUMANUM GENUS
DO PAPA LEÃO XIII
SOBRE A MAÇONARIA

Aos Patriarcas, Primazes, Arcebispos, e
Bispos do Mundo Católico em Graça e Comunhão com a Sé Apostólica
.

1. O Gênero Humano, após sua miserável queda de Deus, o Criador e Doador dos dons celestes, "pela inveja do demônio," separou-se em duas partes diferentes e opostas, das quais uma resolutamente luta pela verdade e virtude, e a outra por aquelas coisas que são contrárias à virtude e à verdade. Uma é o reino de Deus na terra, especificamente, a verdadeira Igreja de Jesus Cristo; e aqueles que desejam em seus corações estar unidos a ela, de modo a receber a salvação, devem necessariamente servir a Deus e Seu único Filho com toda a sua mente e com um desejo completo. A outra é o reino de Satanás, em cuja possessão e controle estão todos e quaisquer que sigam o exemplo fatal de seu líder e de nossos primeiros pais, aqueles que se recusam a obedecer à lei divina e eterna, e que têm muitos objetivos próprios em desprezo a Deus, e também muitos objetivos contra Deus.
2. Este reino dividido Sto. Agostinho penetrantemente discerniu e descreveu ao modo de duas cidades, contrárias em suas leis porque lutando por objetivos contrários; e com sutil brevidade ele expressou a causa eficiente de cada uma nessas palavras: "Dois amores formaram duas cidades: o amor de si mesmo, atingindo até o desprezo de Deus, uma cidade terrena; e o amor de Deus, atingindo até o desprezo de si mesmo, uma cidade celestial."[1] Em cada período do tempo uma tem estado em conflito com a outra, com uma variedade e multiplicidade de armas e de batalhas, embora nem sempre com igual ardor e assalto. Nesta época, entretanto, os partisans (guerrilheiros) do mal parecem estar se reunindo, e estar combatendo com veemência unida, liderados ou auxiliados por aquela sociedade fortemente organizada e difundida chamada os Maçons. Não mais fazendo qualquer segredo de seus propósitos, eles estão agora abruptamente levantando-se contra o próprio Deus. Eles estão planejando a destruição da santa Igreja publicamente e abertamente, e isso com o propósito estabelecido de despojar completamente as nações da Cristandade, se isso fosse possível, das bênçãos obtidas para nós através de Jesus Cristo nosso Salvador. Lamentando estes males, Nós somos constrangidos pela caridade que urge Nosso coração a clamar freqüentemente a Deus: "Ó Deus, eis que Teus inimigos se agitam; e os que Te odeiam levantaram as suas cabeças. Eles tramam um plano contra Teu povo, e conspiram contra Teus santos. Eles disseram: 'vinde, destruamo-nos, de modo que eles não sejam uma nação'."[2]
3. Em uma crise tão urgente, quando tão feroz e tão forte assalto é feito sobre o nome Cristão, é Nosso ofício apontar o perigo, marcar quem são os adversários, e no máximo de Nosso poder fazer uma barreira contra seus planos e procedimentos, para que não pereçam aqueles cuja salvação está confiada a Nós, e para que o reino de Jesus Cristo confiado a Nosso encargo possa não só permanecer de pé e inteiro, mas possa ser alargado por um crescimento cada vez maior através do mundo.
4. Os Pontífices Romanos nossos predecessores, em sua incessante vigilância pela segurança do povo Cristão, foram rápidos em detectar a presença e o propósito desse inimigo capital tão logo ele saltou para a luz ao invés de esconder-se como uma tenebrosa conspiração; e, além disso, eles aproveitaram e tomaram providências, pois a eles isso competia, e não permitiram a si mesmos serem tomados pelos estratagemas e armadilhas armadas para enganá-los.
5. A primeira advertência do perigo foi dada por Clemente XII no ano de 1738[3], e sua constituição foi confirmada e renovada por Bento XIV[4]. Pio VII seguiu o mesmo caminho[5]; e Leão XII, por sua constituição apostólica, Quo Graviora[6], juntou os atos e decretos dos Pontífices anteriores sobre o assunto, e os ratificou e confirmou para sempre. No mesmo sentido pronunciou-se Pio VIII[7], Gregório XVI[8], e, muitas vezes, Pio IX[9].
6. Tão logo a constituição e o espírito da seita maçônica foram claramente descobertos por manifestos sinais de suas ações, pela investigação de suas causas, pela publicação de suas leis, e de seus ritos e comentários, com a freqüente adição do testemunho pessoal daqueles que estiveram no segredo, esta sé apostólica denunciou a seita dos Maçons, e publicamente declarou sua constituição, como contrária à lei e ao direito, perniciosa tanto à Cristandade como ao Estado; e proibiu qualquer um de entrar na sociedade, sob as penas que a Igreja costuma infligir sobre as pessoas excepcionalmente culpadas. Os sectários, indignados por isto, pensando em eludir ou diminuir a força destes decretos, parcialmente por desprezo, e parcialmente por calúnia, acusaram os soberanos Pontífices que os passaram ou de exceder os limites da moderação em seus decretos ou de decretar o que não era justo. Este foi o modo pelo qual eles esforçaram-se para eludir a autoridade e o peso das constituições apostólicas de Clemente XII e Bento XIV, e também de Pio VII e Pio IX[10]. Entretanto, na própria sociedade, encontraram-se homens que relutantemente concordaram que os Pontífices Romanos tinham agido dentro de seu direito, de acordo com a doutrina e disciplina Católicas. Os Pontífices receberam a mesma concordância, em termos fortes, de muitos príncipes e chefes de governo, que tomaram como um dever ou delatar a sociedade maçônica à sé apostólica, ou por seu próprio acordo por leis específicas declará-la perniciosa, como, por exemplo, na Holanda, Áustria, Suíça, Espanha, Bavária, Savóia, e outras partes da Itália.
7. Mas, o que é da maior importância, o curso dos eventos demonstrou a prudência dos Nossos predecessores. Pois a sua providente e paternal solicitude não conseguiu sempre e em todo lugar o resultado desejado; e isto, ou por causa do fingimento e astúcia de alguns que eram agentes ativos na maldade, ou então da irrefletida leviandade do resto que deveria, em seu próprio interesse, ter dado ao assunto sua diligente atenção. Em conseqüência, a seita dos Maçons cresceu com uma velocidade inconcebível no curso de um século e meio, até que se tornou capaz, através de fraude ou audácia, de obter tal acesso em cada nível do Estado de modo a parecer quase a sua força governante. Este veloz e formidável avanço trouxe sobre a Igreja, sobre o poder dos príncipes, sobre o bem estar público, precisamente aquele grave dano que Nossos predecessores tinham previsto muito antes. Tal condição foi atingida que de agora de diante haverá grave razão para temer, não realmente pela Igreja - porque sua fundação é firme demais para ser derrubada pelos esforços dos homens - mas por aqueles Estados em que prevalece o poder, ou da seita da qual estamos falando ou de outras seitas não diferentes que curvam-se a ela como discípulas e subordinadas.
8. Por estas razões Nós, tão logo chegamos ao timão da Igreja, claramente vimos e sentimos ser Nosso dever usar Nossa autoridade em sua máxima extensão contra um mal tão vasto. Nós já por muitas vezes, conforme as ocasiões surgiram, atacamos alguns pontos principais dos ensinamentos que demonstraram de uma maneira especial a perversa influência das opiniões Maçônicas. Assim, em nossa carta encíclica, Quod Apostolici Muneris, Nós Nos esforçamos por refutar as monstruosas doutrinas dos socialistas e comunistas; depois, em outra começando com "Arcanum", Nós penosamente defendemos e explicamos a verdadeira e genuína idéia da vida doméstica, da qual o matrimônio é o ponto de partida e a origem; e novamente, naquela que começa com "Diuturnum"[11], Nós descrevemos a idéia de governo político conforme os princípios da sabedoria Cristã, que é maravilhosa em harmonia, por um lado, com a ordem natural das coisas, e, por outro lado, com o bem-estar tanto dos príncipes soberanos quanto das nações. É agora Nossa intenção, seguindo o exemplo de Nossos predecessores, tratar diretamente a própria sociedade maçônica, todo o seu ensinamento, seus objetivos, e a sua maneira de pensar e agir, de modo a trazer mais e mais à luz seu poder para o mal, e fazer o que Nós pudermos para deter o contágio desta peste fatal.
9. Há vários corpos organizados os quais, embora diferindo em nome, em cerimonial, em forma e origem, são contudo tão unidos por comunhão de propósito e pela similaridade de suas principais opiniões, de modo a formar de fato uma só coisa com a seita dos Maçons, a qual é um tipo de centro ao qual todos eles se dirigem, e do qual todos eles retornam. Agora, estes não mais mostram um desejo de permanecer escondidos; pois eles realizam seus encontros à luz do dia e à vista do povo, e publicam seus próprios jornais; e contudo, quando completamente compreendidos, descobre-se que eles ainda retêm a natureza e os hábitos de sociedades secretas. Há muitas coisas como mistérios que é regra fixa esconder com extremo cuidado, não somente de estranhos, mas de muitos e muitos membros, também; tais como seus desígnios secretos e últimos, os nomes de seus maiores líderes, e certos segredos e encontros privados, assim como suas decisões, e os caminhos e meios de executá-las. Este é, sem dúvida, o objetivo das múltiplas diferenças entre os membros quanto a direito, cargo e privilégio, das distinções recebidas de ordens e graus, e da severa disciplina que é mantida.
Os candidatos são geralmente ordenados a prometer - e mais, com um especial juramento, a jurar - que eles não irão nunca, a nenhuma pessoa, em qualquer tempo ou de qualquer modo, dar a conhecer os membros, as senhas, ou os assuntos discutidos. Assim, com uma aparência externa fraudulenta, e com um estilo de fingimento que é sempre o mesmo, os Maçons, como os Maniqueístas de antigamente, esforçam-se, tanto quanto possível, para encobrir a si mesmos, e para não admitir testemunhas exceto seus próprios membros. Como uma maneira conveniente de disfarce, eles assumem o caráter de homens de letras e acadêmicos associados com o objetivo de aprender. Eles falam de seu zelo por um maior refinamento cultural, e de seu amor pelos pobres; e eles declaram que seu único desejo é a melhoria da condição das massas, e o compartilhamento com o maior número possível de pessoas de todos os benefícios da vida civil. Mesmo que estes propósitos fossem visados verdadeiramente, eles não são de modo algum o todo de seu objetivo. Ainda mais, para ser alistado, é necessário que os candidatos prometam e assumam ser daí em diante estritamente obedientes aos seus líderes e mestres com a mais completa submissão e fidelidade, e estar de prontidão para cumprir suas ordens à mais leve expressão de seu desejo; ou, se desobedientes, submeter-se aos mais penosos castigos e à própria morte. De fato, se algum é julgado ter traído as obras da seita ou ter resistido à ordens dadas, a punição é infligida neles não infreqüentemente, e com tanta audácia e destreza que o assassino muito freqüentemente escapa à detecção e punição de seu crime.
10. Mas fingir e desejar permanecer escondido; atar homens como escravos com as mais fortes correntes, e sem dar qualquer razão suficiente; usar homens escravizados aos desejos de outro para qualquer ato arbitrário; armar as mãos direitas de homens para o massacre após assegurar a impunidade pelo crime - tudo isso é uma enormidade diante qual a natureza recua. Por este motivo, a razão e a própria verdade tornam claro que a sociedade da qual nós estamos falando está em antagonismo com a justiça e a retidão natural. E isto se torna ainda mais claro, uma vez que outros argumentos, também, e muito evidentes, provam que ela é essencialmente oposta à virtude natural. Pois, não importando quão grande possa ser a inteligência do homem em disfarçar e a sua experiência em mentir, é impossível evitar os efeitos de qualquer causa de mostrarem, de algum modo, a natureza intrínseca da causa da qual eles vêm. "Uma boa árvore não pode produzir mau fruto, nem uma árvore ruim produzir bom fruto."[12] Agora, a seita maçônica produz frutos que são perniciosos e do mais amargo sabor. Pois, daquilo que Nós acima mostramos da maneira mais clara, aquele que é o seu propósito último força-a a se tornar visível - especificamente, a completa derrubada de toda a ordem religiosa e política do mundo que o ensinamento Cristão produziu, e a substituição por um novo estado de coisas de acordo com as suas idéias, das quais as fundações e leis devem ser obtidas do mero naturalismo.
11. O que Nós dissemos, e estamos para dizer, deve ser entendido com respeito à seita dos Maçons tomada genericamente, e tanto quanto ela compreende as associações aparentadas a ela e confederadas com ela, mas não dos seus membros individuais. Pode haver pessoas entre eles, e não poucos que, embora não livres da culpa de terem se enleado em tais associações, ainda assim não são eles mesmos parceiros em seus atos criminosos nem conscientes do objetivo último que eles estão se esforçando por alcançar. Do mesmo modo, algumas das sociedades afiliadas, talvez, de modo algum aprovem as conclusões extremas que eles iriam, se consistentes, abraçar como conseqüências necessárias de seus princípios comuns, se a sua própria maldade não os enchesse de horror. Alguns deles, novamente, são levados pelas circunstâncias dos tempos e lugares ou a visar coisas menores do que os outros normalmente tentam ou do que eles mesmos desejariam tentar. Eles não devem, entretanto, por esta razão, ser considerados como estranhos à federação maçônica; porque a federação maçônica deve ser julgada não tanto pelas coisas que ela tem feito, ou concluído, quanto pela soma de suas opiniões pronunciadas.
12. Agora, a doutrina fundamental dos naturalistas, que eles tornam suficientemente conhecida em seu próprio nome, é que a natureza humana e a razão humana deveria em todas as coisas ser senhora e guia. Eles ligam muito pouco para os deveres para com Deus, ou os pervertem por opiniões errôneas e vagas. Pois eles negam que qualquer coisa tenha sido ensinada por Deus; eles não permitem qualquer dogma de religião ou verdade que não possa ser entendida pela inteligência humana, nem qualquer mestre que deva ser acreditado por causa de sua autoridade. E desde que é o dever especial e exclusivo da Igreja Católica estabelecer completamente em palavras as verdades divinamente recebidas, ensinar, além de outros auxílios divinos à salvação, a autoridade de seu ofício, e defender a mesma com perfeita pureza, é contra a Igreja que o ódio e o ataque dos inimigos é principalmente dirigido.
13. Nos assuntos a respeito de religião que se veja como a seita dos Maçons age, especialmente aonde ela é mais livre para agir sem barreiras, e então que qualquer um julgue se realmente ela não deseja executar a política dos naturalistas. Por um longo e perseverante labor, eles esforçam-se para alcançar este resultado - especificamente, que o ofício de ensinar e a autoridade da Igreja tornem-se sem valor no Estado civil; e por esta mesma razão eles declaram ao povo e argumentam que a Igreja e o Estado devem ser completamente desunidos. Por este meio eles rejeitam das leis e da nação a saudável influência da religião Católica; e eles conseqüentemente imaginam que os Estados devem ser constituídos sem qualquer consideração pelas leis e preceitos da Igreja.
14. Nem eles pensam ser suficiente desconsiderar a Igreja - a melhor das guias - mas eles também a ferem por sua hostilidade. Realmente, para eles está dentro da lei atacar com impunidade as próprias fundações da religião Católica, em palavra, em escritos e em ensinamentos; e até os direitos da Igreja não são poupados, e os ofícios com os quais ela é divinamente investida não estão seguros. A mínima liberdade possível para administrar os assuntos é deixada à Igreja; e isto é feito por leis aparentemente não muito hostis, mas na realidade armadas e ajustadas para dificultar a liberdade de ação. Ainda mais, Nós vemos leis excepcionais e opressivas impostas sobre o clero, a fim de que eles possam ser continuamente diminuídos em número e meios necessários. Nós também vemos os remanescentes das possessões da Igreja restringidos pelas mais estritas condições, a sujeitados ao poder e ao desejo arbitrário dos administradores do Estado, e as ordens religiosas reviradas e espalhadas.
15. Mas contra a sé apostólica e o Pontífice Romano a contenda destes inimigos tem sido por um longo tempo dirigida. O Pontífice foi primeiro, por razões sem substância, atirado para fora da proteção de sua liberdade e de seu direito, o principado civil; logo, ele foi injustamente forçado em uma condição que era insuportável por causa das dificuldades levantadas de todos os lados; e agora o tempo chegou em que os partisans (guerrilheiros) da seita abertamente declaram, o que em segredo entre eles mesmos eles têm por um longo tempo planejado, que o poder sagrado dos Pontífices deve ser abolido, e que o próprio papado, fundado por direito divino, deve ser totalmente destruído. Se outras provas fossem desejadas, este fato seria suficientemente revelado pelo testemunho de homens informados, dos quais alguns em outros tempos, e outros recentemente, declararam ser verdadeiro a respeito dos Maçons que eles desejam especialmente atacar violentamente a igreja com irreconciliável hostilidade, e que eles nunca descansarão até que eles tenham destruído o que quer que os supremos Pontífices tenham estabelecido como religião.
16. Se aqueles que são admitidos como membros não são ordenados a abjurar por quaisquer palavras as doutrinas Católicas, esta omissão, muito longe de ser adversa aos desígnios dos Maçons é mais útil para os seus propósitos. Primeiro, deste modo eles facilmente enganam os ingênuos e os incautos, e podem induzir um número muito maior a se tornarem membros. Novamente, como todos que se oferecem são recebidos qualquer que possa ser sua forma de religião, eles deste modo ensinam o grande erro desta época - que uma consideração por religião deveria ser tida como assunto indiferente, e que todas as religiões são semelhantes. Este modo de raciocinar é calculado para trazer a ruína de todas as formas de religião, e especialmente da religião Católica, que, como é a única que é verdadeira, não pode, sem grande injustiça, ser considerada como meramente igual às outras religiões.
17. Mas os naturalistas vão muito mais longe; pois, tendo, nas mais altas coisas, entrado em um curso completamente errôneo, eles são levados impetuosamente a extremos, ou por causa da fraqueza da natureza humana, ou porque Deus inflige sobre eles a justa punição do seu orgulho. Assim acontece que eles não mais consideram como certas e permanentes aquelas coisas que são totalmente entendidas pela luz natural da razão, tais como certamente são - a existência de Deus, a natureza imaterial da alma humana, e sua imortalidade. A seita dos Maçons, por uma similar trilha de erro, é exposta a estes mesmos perigos; pois, embora de um modo geral eles possam professar a existência de Deus, eles mesmos são testemunhas que eles não mantém todos esta verdade com total concordância da mente e com uma firme convicção. Nem eles escondem que esta questão sobre Deus é a maior fonte e causa de discórdias entre eles; de fato, é certo que uma discussão considerável sobre este mesmo assunto existiu entre eles muito recentemente. Mas, realmente, a seita permite grande liberdade aos seus membros juramentados por voto, de modo que para cada lado é dado o direito de defender a sua própria opinião, ou de que há um Deus, ou de que não há nenhum; e aqueles que obstinadamente argumentam que não há nenhum Deus são tão facilmente iniciados como aqueles que argumentam que Deus existe, embora, como os panteístas, eles tenham falsas noções acerca dEle: tudo que não é nada mais do que retirar a realidade, retendo algumas absurdas representações da natureza divina.
18. Quando esta maior e fundamental verdade foi derrubada ou enfraquecida, segue que aquelas verdades, também, que são conhecidas pelo ensinamento da natureza devem começar a cair - especificamente, que todas as coisas foram feitas pelo livre desejo de Deus o Criador; que o mundo é governado pela Providência; que as almas não morrem; que a esta vida dos homens sobre a terra sucederá outra em uma vida eterna.
19. Quando estas verdades foram eliminadas, as quais são os princípios da natureza e importantes para o conhecimento e para o uso prático, é fácil de ver o que irá ser da moralidade pública e privada. Nós não dizemos nada daquelas virtudes mais celestiais, as quais ninguém pode exercer ou mesmo adquirir sem um especial dom e graça de Deus; das quais necessariamente nenhum traço pode ser encontrado naqueles que rejeitam como desconhecida a redenção da humanidade, a graça de Deus, os sacramentos, e a felicidade a ser obtida no céu. Nós falamos agora dos deveres que têm a sua origem na retidão natural. Que Deus é o Criador do mundo e seu providente Governador; que a lei eterna exige que a ordem natural seja mantida, e proíbe que ela seja perturbada; que o fim último do homem é um destino muito acima das coisas humanas e além desta parada sobre a terra: estas são as fontes e estes são os princípios de toda justiça e moralidade.
Se eles forem removidos, como os naturalistas e Maçons desejam, imediatamente não haverá nenhum conhecimento quanto ao que constitui justiça e injustiça, ou sobre qual princípio a moralidade é fundada. E, em verdade, o ensinamento de moralidade que exclusivamente encontra o favor da seita dos Maçons, e em que eles argumentam que os jovens deveriam ser instruídos, é o que eles chamam "civil", e "independente", e "livre", especificamente, aquele que não contém qualquer crença religiosa. Mas, quão insuficiente tal ensinamento é, quanto deixa a desejar em firmeza, e quão facilmente movido por cada impulso da paixão, é suficientemente provado por seus tristes frutos, que já começaram a aparecer. Pois, aonde quer que, removendo a educação Cristã, este ensinamento começou a reinar mais completamente, aí a bondade e integridade da moral começou rapidamente a perecer, monstruosas e vergonhosas opiniões têm crescido, e a audácia dos atos malignos tem se elevado a um alto grau. Tudo isso é comumente lamentado e deplorado; e não poucos daqueles que de modo algum desejam fazê-lo são compelidos pela abundância de provas a dar não infreqüentemente o mesmo testemunho.
20. Ainda mais, a natureza humana foi manchada pelo pecado original, e é portanto mais disposta ao vício do que à virtude. Pois uma vida virtuosa é absolutamente necessária para restringir os movimentos desordenados da alma, e para fazer as paixões obedientes à razão. Neste conflito as coisas humanas devem freqüentemente ser desprezadas, e os maiores trabalhos e durezas devem ser executados, de modo que a razão possa sempre manter o seu domínio. Mas os naturalistas e Maçons, não tendo fé naquelas coisas que nós aprendemos pela revelação de Deus, negam que nossos primeiros pais tenham pecado, e conseqüentemente pensam que o livre desejo não é de modo algum enfraquecido e inclinado ao mal[13]. Pelo contrário, exagerando bastante o poder e a excelência da natureza, e colocando somente ali o princípio e regra da justiça, eles não podem nem mesmo imaginar que haja qualquer necessidade de uma constante luta e uma perfeita firmeza para dominar a violência e governo de nossas paixões.
Por isso nós vemos que homens são publicamente tentados pelos muitos encantamentos do prazer; que há jornais e panfletos sem moderação nem vergonha; que peças de teatro são notáveis pela licenciosidade; que desenhos para obras de arte são de uma maneira desavergonhada buscados nas leis de um assim chamado realismo; que os planos de uma vida fácil e delicada são cuidadosamente elaborados; que todas as seduções do prazer são diligentemente buscadas pelas quais a virtude possa ser ninada até adormecer. Depravadamente, também, mas ao mesmo tempo de um modo bastante consistente, fazem aqueles atos que eliminam a expectativa das alegrias do céu, e trazem para baixo toda a felicidade para o nível da mortalidade, e, de fato, a afundam na terra. Do que Nós dissemos o seguinte fato, estarrecedor não tanto por si mesmo quanto em sua aberta expressão, pode servir como confirmação. Pois, uma vez que geralmente ninguém está acostumado a obedecer homens hábeis e inteligentes tão submissamente como aqueles cuja alma está enfraquecida e quebrada pelo domínio das paixões, tem havido na seita dos Maçons alguns que têm simplesmente determinado e proposto que, engenhosamente e de propósito estabelecido, a multidão deveria ser saciada com uma licença sem limite para o vício, pois, quando isso tivesse sido feito, ela iria facilmente cair sob o seu poder e autoridade para quaisquer atos de audácia.
21. Quanto ao que se refere à vida doméstica nos ensinamentos dos naturalistas é quase tudo contido nas seguintes declarações: que o casamento pertence ao gênero dos contratos humanos, que pode ser legalmente revogado pelo desejo daqueles que o fizeram, que os governadores civis do Estado têm poder sobre o laço matrimonial; que na educação dos jovens nada deve ser ensinado em matéria de religião como opinião certa e fixada; e cada um deve ser deixado livre para seguir, quando chegar à idade, qualquer que ele preferir. Os Maçons concordam completamente com estas coisas; e não somente concordam, mas têm longamente esforçado-se para transformá-las em lei e instituição. Pois em muitos países, e aqueles nominalmente Católicos, é estabelecido que nenhum casamento deve ser considerado legal a não ser aqueles contraídos pelo rito civil; em outros lugares a lei permite o divórcio; e em outros todos os esforços são feitos para torná-lo legal tão logo quanto possível. Portanto, o tempo está rapidamente se aproximando em que os casamentos vão ser tornados em outro tipo de contrato - ou seja em uniões mutáveis e incertas que um capricho pode unir, e que do mesmo modo quando se modificar pode desunir.
Com a maior unanimidade a seita dos Maçons também esforça-se para tomar a si mesma a educação da juventude. Eles pensam que eles podem facilmente moldar às suas opiniões aquela idade macia e maleável, e torcê-la no que quer que eles desejem; e que nada pode ser mais adequado do que isto para permitir a eles levar a juventude do Estado a seguir seu próprio plano. Portanto, na educação e instrução de crianças eles não permitem qualquer participação, quer no ensinamento ou na disciplina, aos ministros da Igreja; e em muitos lugares eles têm procurado obter que a educação dos jovens esteja exclusivamente nas mãos de leigos, e que nada que trate dos mais importantes e mais sagrados deveres dos homens para com Deus deva ser introduzido na instrução sobre moral.
22. E ainda há as suas doutrinas sobre política, em que os naturalistas decretam que todos os homens tem o mesmo direito, e são em todos os aspectos da mesma e igual condição; que cada um é naturalmente livre; que nenhum tem o direito de comandar a outrem; que é um ato de violência requerer que homens obedeçam qualquer autoridade outra que aquela que é obtida deles mesmos. De acordo com isto, portanto, todas as coisas pertencem ao povo livre; o poder é exercido pela ordem ou permissão do povo, de modo que, quando o desejo do povo muda, os governantes podem ser legalmente depostos e a fonte de todos os direitos e deveres civis está ou na multidão ou na autoridade governante quando esta é constituída de acordo com as últimas doutrinas. É sustentado também que o Estado deve ser sem Deus; que nas várias formas de religião não há razão pela qual uma devesse ter precedência sobre outra; e que todas elas devem ocupar o mesmo lugar.
23. Que estas doutrinas são igualmente aceitáveis aos Maçons, e que eles desejariam constituir Estados de acordo com este exemplo e modelo, é excessivamente bem conhecido para requerer prova. Por algum tempo eles tem abertamente esforçado-se para tornar isto realidade com toda a sua força e recursos; e deste modo eles preparam o caminho para não poucos homens audaciosos que estão se apressando a fazer até as piores coisas, em seu esforço para obter igualdade e comunhão de todos os bens pela destruição de todas as distinções de título e propriedade.
24. O que, portanto, a seita dos Maçons é, e que trilha ela persegue, aparece suficientemente do sumário que Nós resumidamente demos. Seus dogmas principais estão tão grandemente e manifestamente apartados da razão que nada pode ser mais perverso. Desejar destruir a religião e a Igreja que o próprio Deus estabeleceu, e cuja perpetuidade Ele assegura por Sua proteção, e trazer após um lapso de dezoito séculos as maneiras e costumes dos pagãos, é notável insensatez e audaciosa impiedade. Nem é menos horrível nem mais tolerável que eles repudiem os benefícios que Jesus Cristo tão misericordiosamente obteve, não somente para os indivíduos, mas também para as famílias e a sociedade civil, benefícios os quais, mesmo de acordo com o julgamento e testemunho de inimigos da Cristandade, são muito grandes. Nesta empreitada insana e pervertida nós quase podemos ver o ódio implacável e o espírito de vingança com o qual o próprio Satanás está inflamado contra Jesus Cristo. - Do mesmo modo o estudado esforço dos Maçons para destruir as principais fundações da justiça e honestidade, e para cooperar com aqueles que desejarem, como se fossem meros animais, fazer o que eles quiserem, tende somente para a ignominiosa e desgraçada ruína do gênero humano.
O mal, também, é agravado pelos perigos que ameaçam a sociedade doméstica e civil. Como Nós demonstramos, no matrimônio, de acordo com a crença de quase todas nações, há algo sagrado e religioso; e a lei de Deus determinou que os matrimônios não devam ser dissolvidos. Se eles forem desprovidos do seu caráter sagrado, e feitos dissolúveis, problemas e confusão na família serão o resultado, a esposa sendo despojada de sua dignidade e as crianças deixadas sem proteção quanto aos seus interesses e bem-estar. - Não ter nos assuntos públicos qualquer cuidado pela religião, e nos arranjos e administração dos assuntos civis não ter maior consideração para com Deus do que se Ele não existisse, é uma imprudência desconhecida dos próprios pagãos; pois em seus corações e almas a noção de uma divindade e a necessidade de uma religião pública estavam tão firmemente estabelecidas que eles teriam pensado ser mais fácil ter uma cidade sem fundamentos do que uma cidade sem Deus. A sociedade humana, para a qual nós verdadeiramente por natureza somos formados, foi constituída por Deus, o Autor da natureza; e dEle, como de seu princípio e fonte, fluem em toda a sua força e permanência os incontáveis benefícios com os quais a sociedade abunda. Como todos e cada um de nós somos admoestados pela própria voz da natureza para cultuar a Deus em piedade e santidade, como o Doador da vida e de tudo que é bom nela, do mesmo modo e pela mesma razão, nações e Estados estão obrigado a cultuá-lO; e portanto é claro que aqueles que querem absolver a sociedade de todos os deveres religiosos agem não só injustamente mas também com ignorância e insensatez.
25. Como os homens são pela vontade de Deus nascidos para a união civil e sociedade, e como o poder de governar é um elo de união tão necessário à sociedade que, se ele é retirado, a sociedade necessariamente e imediatamente se desfaz, segue que dEle que é o Autor da sociedade veio também a autoridade de governar; assim quem quer que governe, é ministro de Deus. Portanto, como o fim e a natureza da sociedade humana requerem, é correto obedecer às justas ordens da autoridade legal, como é correto obedecer a Deus que governa todas as coisas; e é extremamente falso que o povo tenha como um poder jogar de lado sua obediência quando quer que lhe agrade.
26. De maneira semelhante, ninguém duvida que todos os homens são iguais uns aos outros, tanto quanto se refere à sua origem e natureza comuns, ou o fim último que cada um deve atingir, ou os direitos e deveres que são daí derivados. Mas, como as habilidades de todos não são iguais, como um difere do outro nos poderes da mente e do corpo, e como há realmente muitas dessemelhanças de maneiras, disposição, e caráter, é extremamente repugnante à razão esforçar-se por confinar todos dentro da mesma medida, e estender completa igualdade às instituições da vida civil. Assim como uma perfeita condição do corpo resulta da conjunção e composição de seus vários membros, os quais, embora diferindo em forma e propósito, fazem, por sua união e distribuição de cada um em seu próprio lugar, uma combinação bela para ser mantida, firme em força, e necessária para o uso; desse modo, na comunidade, há uma quase infinita dessemelhança de homens, como partes do todo. Se eles devem ser todos iguais, e cada um deve seguir seu próprio desejo, o Estado vai aparecer extremamente deformado; mas se, com uma distinção de graus de dignidade, de ocupações e empregos, todos habilmente cooperarem para o bem comum, eles irão apresentar a imagem de um Estado bem constituído e conformado à natureza.
27. Agora, dos perturbantes erros que Nós temos descrito os maiores perigos para os Estados devem ser temidos. Pois, sendo retirados o temor a Deus e a reverência pelas leis divinas, sendo desprezada a autoridade dos governantes, a sedição permitida e aprovada, e as paixões populares exacerbadas até o desprezo pela lei, sem qualquer freio a não ser o castigo, uma mudança e derrubada de todas as coisas necessariamente seguirá. Sim, esta mudança e derrubada é deliberadamente planejada e colocada em curso por várias associações de comunistas e socialistas; e aos seus propósitos a seita dos Maçons não é hostil, mas favorece grandemente seus desígnios, e tem em comum com eles suas principais opiniões. E se estes homens não se esforçam imediatamente e em todo lugar para levar à frente seus pontos de vista extremos, isso não deve ser atribuído ao seu ensinamento e sua vontade, mas à virtude daquela divina religião que não pode ser destruída; e também porque a parte mais sólida dos homens, recusando-se a ser escravizada às sociedades secretas, vigorosamente resiste às suas insanas tentativas.
28. Se todos os homens julgassem a árvore pelo seu fruto, e reconhecessem a semente e origem dos males que nos pressionam, e dos perigos que estão nos ameaçando! Nós temos que lidar com um inimigo enganoso e habilidoso, que, gratificando os ouvidos do povo e dos príncipes, os tem enleado por falas macias e por adulação. Entrando nas boas graças dos governantes sob a alegação de amizade, os Maçons tem se esforçado para fazê-los seus aliados e poderosos auxiliadores para a destruição do nome Cristão; e para que eles possam mais fortemente pressioná-los, eles têm, com determinada calúnia, acusado a Igreja de maliciosamente contender com os governantes em assuntos que afetam a sua autoridade e soberano poder. Tendo, por estes artifícios, assegurado a sua própria segurança e audácia, eles começaram a exercer grande peso no governo dos Estados: mas entretanto estão preparados para sacudir as fundações de impérios, para perturbar os governantes do Estado, para acusá-los, e para expulsá-los, tão freqüentemente quanto eles aparentam governar de modo diferente do que eles próprios poderiam ter desejado. De modo semelhante, eles têm por falsos elogios iludido o povo. Proclamando com uma alta voz a liberdade e prosperidade pública, e dizendo que era por causa da Igreja e dos soberanos que a multidão não era retirada de sua injusta servidão e pobreza, eles se impuseram sobre o povo, e, excitando-os por uma sede por novidades, eles os pressionaram a assaltar tanto a Igreja quanto o poder civil. Entretanto, a expectativa de benefícios que era esperada é muito maior do que a realidade; realmente, as pessoas comuns, mais oprimidas do que elas eram antes, estão privadas em sua miséria daquele consolo que, se as coisas tivessem sido arranjadas de um modo Cristão, eles teriam tido com facilidade e em abundância. Mas, quem quer que lute contra a ordem que a Divina Providência constituiu paga usualmente a penalidade por seu orgulho, e encontra-se com a aflição e a miséria quando eles insensatamente esperavam encontrar todas as coisas prósperas e conforme os seus próprios desejos.
29. A Igreja, se ela dirige os homens a prestar obediência principalmente a acima de tudo a Deus o soberano Senhor, é erradamente e falsamente considerada ou invejosa do poder civil ou de se arrogar algo dos direitos dos soberanos. Pelo contrário, ela ensina que o que é retamente devido ao poder civil deve ser prestado a ele com convicção e consciência de dever. Ensinando que do próprio Deus vem o direito de governar, ela adiciona uma grande dignidade à autoridade civil, e ainda ajuda a obter a obediência e boa intenção dos cidadãos. Amiga da paz e sustentáculo da concórdia, ela abraça a todos com amor maternal, e, intencionando apenas auxiliar o homem mortal, ela ensina que à justiça deve ser ajuntada a clemência, eqüidade à autoridade, e moderação à legislação; que o direito de ninguém pode ser violado; que a ordem e a tranqüilidade pública devem ser mantidas e que a pobreza daqueles que estão em necessidade deve, tanto quanto possível, ser aliviada pela caridade pública e privada. "Mas por esta razão," para usar as palavras de Sto. Agostinho, "os homens pensam, ou gostariam de acreditar, que o ensinamento Cristão não é adequado para o bem do Estado; pois eles desejam que o Estado seja fundado não em sólida virtude, mas na impunidade do vício."[14] Sabendo destas coisas, os príncipes e o povo agiriam com sabedoria política[15], e de acordo com as necessidades da segurança geral, se, ao invés de juntar-se aos Maçons para destruir a Igreja, eles se juntassem à Igreja para repelir os seus ataques.
30. O que quer que o futuro possa ser, neste grave e difundido mal é Nosso dever, veneráveis irmãos, esforçar-nos por encontrar um remédio. E porque Nós sabemos que a Nossa melhor e mais firme esperança de um remédio está no poder daquela divina religião que os Maçons odeiam em proporção ao seu medo dela, Nós pensamos ser de capital importância chamar esse grande poder salvífico em Nosso auxílio contra o inimigo comum. Portanto, tudo que os Pontífices Romanos Nossos predecessores decretaram com o propósito de opor-se aos projetos e esforços da seita maçônica, e tudo que eles tenham legislado quanto à entrada ou saída de homens de sociedades deste tipo, Nós ratificamos e confirmamos completamente pela nossa autoridade apostólica: e confiando grandemente na boa intenção dos Cristãos, Nós rogamos e imploramos a cada um, pela sua salvação eterna, para ser o mais conscienciosamente cuidadoso para não divergir o mínimo que seja daquilo que a sé apostólica tem ordenado neste assunto.
31. Nós rogamos e imploramos a vós, veneráveis irmãos, a juntar os vossos esforços com os Nossos, e esforçadamente lutar pela extirpação desta praga maligna, que está se esgueirando através das veias do corpo da política. Vós deveis defender a glória de Deus e a salvação do vosso próximo; e com o objetivo de vosso combate à vossa frente, nem coragem nem força irão faltar. Será por vossa prudência que julgareis por quais modos vós podeis melhor sobrepujar as dificuldades e obstáculos com os quais vos encontrardes. Mas, como pertence à autoridade de Nosso ofício que Nós mesmos apontemos algumas maneiras apropriadas de procedimento, Nós desejamos que o vosso primeiro ato seja arrancar a máscara da Maçonaria, e deixar que ela seja vista como realmente é; e por sermões e cartas pastorais instruir o povo quanto aos artifícios usado pelas sociedades deste tipo para seduzir os homens e persuadi-los a entrar em suas fileiras, e quanto à perversidade de suas ações e à maldade de seus atos. Como Nossos predecessores por muitas vezes repetiram, que nenhum homem pense que ele possa por qualquer razão que seja ajuntar-se à seita maçônica, se ele dá valor ao seu nome Católico e à sua salvação eterna como ele deveria valorizá-los. Que nenhum seja enganado por uma pretensão de honestidade. Pode parecer a alguns que os Maçons não exigem nada que seja abertamente contrário à religião e à moral; mas, como todo princípio e objetivo da seita está naquilo que é vicioso e criminoso, ajuntar-se com estes homens ou em algum modo ajudá-los não pode ser legítimo.
32. Além disso, por assíduos ensinamentos e exortações, a multidão precisa ser levada a aprender diligentemente os preceitos da religião; para este propósito Nós encarecidamente recomendamos que por oportunos escritos e sermões lhes sejam ensinados os elementos daquelas sagradas verdades nas quais a filosofia Cristã está contida. O resultado disto será que as mentes dos homens serão fortalecidas pela instrução, e serão protegidas contra muitas formas de erro e induções à depravação, especialmente na presente liberdade de escrita sem limites e insaciável desejo de aprender.
33. Grande, realmente, é a obra; mas nela o clero irá compartilhar os vossos trabalhos, se, através de vosso cuidado, eles estiverem à altura disto através do aprendizado e de uma vida bem orientada. Este bom e grande trabalho requer o auxílio também da indústria daqueles entre os leigos em que um amor pela religião e pela pátria existe ao lado da instrução e retidão de vida. Unindo os esforços do clero e dos leigos, batalhai, veneráveis irmãos, para fazer os homens conhecer e amar completamente a Igreja; pois, quanto maior o seu conhecimento e amor pela Igreja, mais eles se desviarão das sociedades clandestinas.
34. Por este motivo, não sem causa Nós usamos esta ocasião para declarar novamente o que nós declaramos em outro lugar, ou seja, que a Ordem Terceira de São Francisco, cuja disciplina Nós algum tempo atrás prudentemente mitigamos[16], deveria ser refletidamente promovida e sustentada; pois todo o objetivo desta Ordem, como constituída por seu fundador, é convidar os homens a uma imitação de Jesus Cristo, a um amor à Igreja, e à observância de todas as virtudes Cristãs; e portanto ela deveria ser de grande influência em suprimir o contágio das sociedades pervertidas. Que, portanto, esta santa irmandade possa ser fortalecida por um crescimento diário. Entre os muitos benefícios a serem esperados disso estará o grande benefício de voltar as mentes dos homens à liberdade, fraternidade e igualdade de direito; não tais como os Maçons absurdamente imaginam, mas tais como Jesus Cristo obteve para o gênero humano e aos quais São Francisco aspirou: a liberdade, Nós queremos dizer, de filhos de Deus, através da qual nós podemos ser livres da escravidão a Satanás ou a nossas paixões, ambos os mais perversos mestres; a fraternidade cuja origem está em Deus, o Criador comum e Pai de todos; a igualdade a qual, fundada na justiça e caridade, não remove todas as distinções entre os homens, mas, das variedades da vida, dos deveres, e das ocupações, forma aquela união e aquela harmonia que naturalmente tende ao benefício e dignidade da sociedade.
35. Em terceiro lugar, há um assunto sabiamente instituído por nossos ancestrais, mas no decorrer do tempo deixado de lado, que pode agora ser usado como um padrão e forma de algo semelhante. Nós queremos dizer as associações ou organizações de trabalhadores, para proteger, sob a direção da religião, os seus interesses temporais e a sua moralidade. Se nossos ancestrais, por longa prática e experiência, sentiram o benefício destas associações, nossa época talvez irá senti-lo ainda mais por causa da oportunidade que eles darão de esmagar o poder das seitas. Aqueles que sustentam a si mesmos pelo trabalho de suas mãos, além de serem, pela sua própria condição, mais dignos acima de todos os outros de caridade e consolação, são também especialmente expostos às tentações de homens cujos caminhos estão na fraude e no engano. Portanto, eles devem ser ajudados com a maior bondade possível, a ser convidados a juntar-se a associações que são boas, para que eles não sejam arrastados para outras que são malignas. Por esta razão, Nós grandemente desejamos, pela salvação das pessoas, que, sob os auspícios e patrocínio dos bispos, e em oportunidades convenientes, estas associações possam ser restauradas de uma maneira generalizada. Para Nossa grande alegria, irmandades deste tipo e também associações de mestres já foram estabelecidas em muitos lugares, tendo, cada classe delas, por seu objetivo ajudar os honestos trabalhadores, a proteger e guardar suas crianças e família, e a promover neles a piedade, o conhecimento Cristão, e uma vida moral. E neste assunto Nós não podemos nos omitir de mencionar aquela sociedade exemplar, denominada de acordo com o seu fundador, São Vicente, que tem merecido tanto das classes mais baixas. Seus atos e seus alvos são bem conhecidos. Todo o seu objetivo é dar alívio ao pobre e miserável. Isto ela faz com singular prudência e modéstia; e quanto menos ela deseja ser notada, mais ela se adequa ao exercício da caridade Cristã, e para o alívio dos sofredores.
36. Em quarto lugar, de modo a mais facilmente atingir o que Nós desejamos, à vossa fidelidade e vigilância Nós recomendamos de um modo especial os jovens, como sendo a esperança da sociedade humana. Devotai a maior parte do vosso cuidado à instrução deles; e não pensai que qualquer precaução possa ser grande o suficiente para mantê-los afastados de mestres e escolas aonde o hálito pestilento das seitas deva ser temido. Sob a vossa direção, deixem os pais, instrutores religiosos, e padres tendo a cura de almas, usar cada oportunidade, em seu ensinamento Cristão, para advertir suas crianças e pupilos da natureza infame destas sociedades, para que eles possam aprender em bom tempo a terem cuidado com os variados e fraudulentos artifícios pelos quais seus promotores costumam laçar as pessoas. E aqueles que instruem os jovens em conhecimento religioso agirão sabiamente se eles induzirem todos eles a se resolverem e se comprometerem a nunca ligar-se a qualquer sociedade sem o conhecimento de seus pais, ou o conselho de seu padre ou diretor.
37. Nós bem sabemos, entretanto, que os nossos esforços unidos não serão de modo algum suficientes para arrancar estas sementes perniciosas do campo do Senhor, a menos que o Celestial Mestre da vinha misericordiosamente nos ajude em nossos esforços. Nós precisamos, portanto, com grande e ansioso cuidado, implorar a Ele a ajuda que a grandeza do perigo e da necessidade requer. A seita da Maçonaria mostra-se insolente e orgulhosa de seu sucesso, e parece que ela não colocará limites à sua pertinácia. Seus seguidores, ajuntados por perversos acordos e por conselhos secretos, ajudam-se uns aos outros, e excitam-se uns aos outros a uma audácia nas coisas malignas. Um ataque tão veemente exige uma igual defesa - especificamente, que todos os homens de bem formem a mais abrangente associação possível de ação e de oração. Nós imploramos a eles, portanto, com corações unidos, a permanecer unidos e firmes contra as forças das seitas que avançam; e em aflição e súplica estender suas mãos a Deus, orando que o nome Cristão possa florescer e prosperar, que a Igreja possa desfrutar da sua necessária liberdade, que aqueles que se extraviaram possam retornar a uma mente reta, que o erro difundido possa dar lugar à verdade, e o vício à virtude. Tomemos como nossa auxiliadora e intercessora a Virgem Maria, Mãe de Deus, para que ela, que desde o momento de sua concepção derrotou Satanás possa mostrar seu poder sobre estas seitas malignas, nas quais revive o contumaz espírito do demônio, juntamente com sua perfídia insubmissa e enganosa. Imploremos a Miguel, o príncipe dos anjos celestes, que lançou fora o infernal inimigo; e José, o esposo da santíssima Virgem, e patrono celeste da Igreja Católica; e os grandes Apóstolos, Pedro e Paulo, os pais e campeões vitoriosos da fé Cristã. Por seu patrocínio, e pela perseverança na união de oração, Nós esperamos que Deus irá misericordiosamente e oportunamente socorrer o gênero humano, que é rodeado por tantos perigos.
38. Como garantia dos dons celestes e de Nossa benevolência, Nós amorosamente concedemos no Senhor a vós, veneráveis irmãos, e ao clero e todo o povo confiado ao vosso vigilante cuidado, Nossa bênção apostólica.

Dado em Roma, junto de São Pedro, no vigésimo dia de abril de 1884, o sexto ano de Nosso Pontificado.

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[1] De civ. Dei, 14, 28 (PL 41, 436).
[2] Sl 82,2-4.
[3] Const. In Eminenti, 24 de abril de 1738.
[4] Const. Providas, 18 de maio de 1751.
[5] Const. Ecclesiam a Jesu Christo, 13 de setembro de 1821.
[6] Const. dada a 13 de março de 1825.
[7] Enc. Traditi, 21 de maio de 1829.
[8] Enc. Mirari, 15 de agosto de 1832.
[9] Enc. Qui Pluribus, 9 de novembro de 1846; pronunciamento Multiplices inter, 25 de setembro de 1865. etc.
[10] Clemente Xll (1730-40); Bento XIV (1740-58), Pio VII (1800-23); Pio IX (1846-78). [11] Ver números 79, 81, 84.
[12] Mt 7,18.
[13] Trid., sess. vi, De justif, c. 1. Texto do Concílio de Trento: "tametsi in eis (sc. Judaeis) liberum arbitrium minime extinctum esset, viribus licet attenuatum et inclinatum."
[14] Ver Arcanum, no. 81.
[15] Epistola 137, ad Volusianum, c. v, n. 20 (PL 33, 525).
[16] (17 de setembro de 1882), na qual o Papa Leão XIII tinha recentemente glorificado S. Francisco de Assis por ocasião do sétimo centenário de seu nascimento. Nesta encíclica, o Papa apresentou a Ordem Terceira de S. Francisco como uma resposta Cristã aos problemas sociais da época. A constituição Misericors Dei filius (23 de junho de 1883) expressamente relembrou que a negligência com a qual as virtudes Cristãs são tidas é a causa principal dos males que ameaçam as sociedades. Confirmando a regra da Ordem Terceira e adaptando-a às necessidades dos tempos modernos, o Papa Leão XIII intencionava trazer de volta o maior número possível de almas à prática destas virtudes.